O CUSTO DO REAJUSTE DO PEDÁGIO

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Reajuste preocupa produtores e cooperativas do Paraná

O reajuste aprovado pela Agência Reguladora do Paraná (Agepar) e publicado no Diário Oficial do dia 28/11, de 5,72%, em média, para as empresas que administram as rodovias pedagiadas no Anel de Integração preocupam o setor cooperativista. As tarifas de pedágio cobradas nas estradas do Paraná comprometem até 8,5 % da renda do produtor rural.  O alerta é do Sindicato e Organização d sylvio.sebastiani@uol.com.br‎as Cooperativas do Paraná (Ocepar), com base em um estudo preliminar elaborado por sua equipe técnica sobre os impactos do pedágio no transporte de grãos e insumos no Paraná. Para o presidente do Sistema Ocepar, João Paulo Koslovski, “o pedágio causa vulnerabilidade aos agricultores, uma vez que as tarifas cobradas representam valores altos, que ao final impactarão nos preços recebidos pelos produtores”. Na opinião do dirigente, a decisão de mais uma vez reajustar as tarifas, somente agrava ainda mais uma situação que já se arrasta desde a implantação do pedágio no estado, “os valores praticados estão acima da realidade, não condizentes com os serviços ofertadas e de estradas apropriadas”, lamenta.

Base – O levantamento feito pela Ocepar baseou-se em 27 praças de pedágio do Paraná. Foram feitas algumas simulações com as rotas rodoviárias mais representativas no transporte de cargas do Paraná, e considerando-se as tarifas corrigidas agora em dezembro de 2013. Calculou-se o valor efetivo pago em cada rota por um caminhão com 5 eixos, que transporta 27 toneladas de produto. O resultado mensurou em números um problema já há muito tempo percebido pelo setor produtivo e por transportadores de cargas.

Preliminar – Importante lembrar, como ainda não foram divulgadas as tabelas oficiais das tarifas pelas concessionárias, este é um estudo preliminar e que pode sofrer alterações, especialmente no trecho de Foz do Iguaçu a Cascavel, no Oeste do Estado, administrado pela Concessionária Ecocataratas, que, segundo informação da Agepar, terá um degrau tarifário de 3,82% nas tarifas, em função da duplicação do trecho Medianeira-Matelândia.

Custo – Para a Ocepar, em média, o pedágio equivale a 21,18 % do custo de frete de grãos, podendo chegar a 30,75 %. No caso das cargas vindas de Cascavel, o pedágio chega a equivaler 24,94 % do custo do transporte. Uma carga que vem de Foz do Iguaçu com destino a Paranaguá, por exemplo, poderá pagar a partir deste domingo (01/12) R$ 680,84 em pedágio. Mesmo no caso de Ponta Grossa, mais próxima ao porto, o efeito do preço do pedágio chega a praticamente 12,58 % do preço do frete. “Consideramos valores altos e que, sem sombra de dúvida, comprometem a rentabilidade de milhares de produtores paranaenses. Com certeza, também impactarão no preço final, ou seja, os consumidores irão pagar tarifas mais altas para trafegar nas estradas e sentirão ainda o custo na hora da compra de alimentos nos supermercados”, lembra Koslovski.

Disparidade – Outro ponto abordado por Koslovski foi a disparidade em relação aos valores anunciados, por exemplo, nas recentes concessões de trechos da BR 163, no Mato Grosso, arrematados nessa semana pela empresa Odebrecht, com preço de pedágio de R$ 2,638 para cada 100 quilômetros rodados, para automóveis de passeio. Por outro lado, para trafegar 90 quilômetros entre Curitiba e Paranaguá, o valor da tarifa irá para R$ 15,90.

IMPACTOS

– O pedágio pode impactar em até 8,5 % no preço recebido pelo produtor de milho e 2,3 % na soja;

– O pedágio onera em até 7,3% o custo de produção de milho e em até 4,3% o custo de produção da soja;

– Para transportar uma carga de Foz do Iguaçu até Paranaguá será pago R$ 680,84 em pedágio;

– O pedágio encarece em até 12,89 % o valor do calcário e pode representar até 0,88 % do valor do adubo no Paraná.