A RESENHA DAS REVISTAS VEJA, ÉPOCA, ISTOÉ E CARTA CAPITAL. VALE CONFERIR!

Finalmente a Veja pode publicar a foto dos seus sonhos: petistas atrás das grades. A mais lida das semanais vai na onda da previsibilidade. A capa enaltece a prisão do trio Dirceu, Genoino e Delubio com um ar de “finalmente”. Nas páginas internas o óbvio … que Joaquim Barbosa é o paladino da Justiça da via láctea e que  a história do Brasil vive um divisor de águas no âmbito da moralidade civil! Quem viver verá. Quem não acredita em Papei Noel não vai perder seu tempo esperando. Nas páginas amarelas talvez umas das maiores aberrações editoriais do ano. Quem é; o que pensa; e como governa o indispensável governador do Ceara Cid Gomes !!! Assim como o seu ultrapassado e singular irmão, Ciro Gomes, o “genial” Cid diz que não se curva a corrupção e que governa seu estado “como um cabra macho”. Entrevista candidatíssima as mais bizarras de 2013. Mas o que vale mesmo em Veja é ler o especial sobre os 50 anos da morte do presidente Kennedy. Reportagem bem ilustrada e com riqueza de detalhes a respeito das motivações do crime que abalou os EUA e inaugurou a fase de tragédias envolvendo a maior potência mundial dos dias atuais. Vale e leitura !

Embora sem a sanha vingativa de Veja, Época também exalta a prisão dos defuntos políticos do julgamento do mensalão. A abordagem da revista é de um “novo tempo” para a democracia brasileira, em que corruptos de alta estirpe passam a ser punidos. Apesar do tom talvez otimista demais, é um retrato histórico competente da importância do julgamento do STF e de seu desfecho. Para quem acredita mesmo que o problema do Brasil é a corrupção, o texto pode acrescentar alguma coisa. Para quem vê o Brasil além da corrupção, pouco acrescentará. Mas na entrevista da semana, o jurista brasileiro Roberto Caldas, um dos sete juízes da Corte Interamericana de Direitos Humanos, dá uma luz de esperança aos mensaleiros ao comentar a possibilidade de um segundo julgamento no tribunal continental, desde que as condições sejam classificadas de “extrema necessidade”. Falando em corrupção, novo escândalo agora bate à porta do ministro Guido Mantega: segundo a revista, dois assessores da pasta, incluindo o chefe de gabinete, teriam recebido propina em dinheiro vivo da empresa com a qual o ministério teria contrato superfaturado de assessoria de imprensa. A denúncia é de uma ex-secretária da empresa, que foi demitida e diz ter se sentido traída. Vale o registro da transparência da revista ao detalhar o acordo com a denunciante: não revelou a informação até que ela recebesse indenização, mas publicou a história quando a moça descumpriu sua parte, passou dados falsos e deixou de colaborar. Tudo muito estranho. Quando é que a imprensa vai aprender que redação não é delegacia de polícia e reportem não é agente policial? A edição traz ainda texto agradável sobre roteiros alternativos de viagem e uma releitura do futuro dos EUA e do mundo se JFK não tivesse sido assassinado há exatos 50 anos. Quase nada mudaria – mais um mito vai sendo desconstruído.

IstoÉ também se rende ao assunto da semana, mas escorrega na atualização e deglutição do noticiário. Seus principais destaques soam defasados: a matéria da prisão dos mensaleiros pouco acrescenta (o foco é a manjada trajetória de Zé Dirceu, de opositor à ditadura a chefão do Planalto e agora a presidiário), bem como a do assassinato do menino Joaquim em SP e a da crise entre PT e PSD após o escândalo das propinas na prefeitura de São Paulo. As frias reportagens de comportamento acabam se sobressaindo, com pautas até interessantes, mas espera-se mais vigor de uma revista que se propõe a fazer ampla cobertura de atualidades.

Aguenta firme

A Carta Capital veio dando a impressão que caiu da mudança. Fala do Mensalão de passagem e apenas para registrar que o STF decidiu pela execução parcial das penas, sem nem registrar que se trata de um precedente de pouco uso na Justiça brasileira (poderia pelo menos perguntar se é só porque se trata do PT). A reportagem da capa é sobre como o crescimento sustentável e a tecnologia podem contribuir para a preservação das espécies, como estão ajudando a diminuir a ritmo de extinção de algumas delas, embora há cientistas que ainda temem pelo nosso futuro. O estranho é que, pasmem, a reportagem tem como fonte o The Economist, aquela mesmo que vive pregando a extinção do Mantega no Ministério da Fazenda (ou não?). A prisão das lideranças do PT parece ter abalado a combatente Carta Capita que, nessa semana, deixa a desejar mais que nas outras. Para não dizer que não existem outros temas, tem a volta do Fradin, velho conhecido das tiras, e um belo cutucão no líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, sobre suposto lobby e processos no STF.

E vamos a reta final de 2013, já com campeão brasileiro e as emoções concentradas em quem irá para a segundona do Brasileirao ! Abs