AS RESENHAS DAS REVISTAS VEJA, ÉPOCA, ISTO É E CARTA CAPITAL. NÃO PERCA!

Veja prensa bem, puxa fundo, segura e solta uma enevoada discussão sobre a legalização da erva mais amada e odiada no mundo. Baseado nos exemplos libertários do vizinho Uruguai e dos estados norte-americanos Colorado e Washington, o veículo semanal aborda os efeitos econômicos da futura venda legalizada da maconha, mas questiona se a medida não se tornará um incentivo para a geração de mais consumidores, em vez de meramente baquear a ponta criminosa da relação de consumo. Exercício de suposições anterior aos efeitos. Melhor deixar o barato rolar. De qualquer modo, Veja vai chegando com atraso num tema em que a Folha de São Paulo, a revista Carta Capital e outros órgãos da mídia já estão faz tempo (veja o texto ao final). Para não esquecer de bater no PT e em Lula, a revista redescobre Rosemary Noronha, a ex-“amiga” de Lula, que na primeira entrevista pós-escândalo jura que não sabia de nada. No mínimo, ela mostra que teve uma boa escola na sua passagem pela política brasileira. A edição traz ainda boa variedade de pautas: crianças fazendo intercâmbio no exterior cada vez mais cedo; o papa Francisco tocando em temas tabus como contracepção e casamento gay; o perigo do uso da ironia em tempos de vigilância instantânea; a aliança entre PCC e Comando Vermelho; entre outras. Tudo em abordagens concisas e superficiais, dentro da nova tendência de textos telegráficos das revistas semanais, cada vez mais próximas da internet.Capa - Edição 807 (home) (Foto: ÉPOCA)

Para mergulhar no universo dos Black Blocs, a Época passou um fim de semana num sítio onde os vândalos mascarados recebem treinamento. Mostrou que eles têm certa organização, algum financiamento externo e trouxe breve perfil de alguns membros, como a ex-presidiária de olhos verdes que estampa a capa. Mas a leitura da reportagem termina sem grandes conclusões … parte pela falta de contundência do texto, parte pela falta de um ideário concreto e homogêneo por parte do grupo. De qualquer modo, uma boa tentativa de tirar repórteres do conforto preguiçoso da redação e resgatar o jornalismo de apuração. Outra ferida tocada é a das gordas pensões de filhas de funcionários públicos mortos, que para seguirem recebendo a mamata deixam de casar no papel … coisas que muitos no Brasil ainda vêem como esperteza, mas é apenas mais uma vergonha. Outra boa sacada foi a matéria com o grande Harold Bloom, o maior crítico literário vivo. Ele fala sobre o novo livro em que faz releitura de sua obra-prima, A angústia da influência. O problema é que, temendo gafes e abordagens incorretas, o repórter/editor transformou a matéria em mera repetição das frases de Bloom, em que ele reafirma suas já conhecidas teorias sobre a influência de escritores sobre gênios antecessores, a nocividade do olhar ideológico sobre a arte e a inutilidade da literatura de massa. Ficou enfadonho.

A IstoÉ dá voz a mais uma “musa” de escândalo tupiniquim. Desta vez, a bela loira Vanessa Alcântara, a “Dama do Achaque”, ex-mulher de um dos auditores da Prefeitura de São Paulo presos na semana passada, incorpora o papel de vingadora e conta detalhes do esquema de generosas propinas em troca de desconto no pagamento de impostos. Entre as revelações, os iates, champanhes e outros prazeres da vida de luxo com dinheiro de corrupção e os fervilhantes barracos conjugais. Para ela, foi bom enquanto durou. Ou seja, nada de relevante. Outras matérias dignas de seção fofoca: Roberto Carlos e Caetano Veloso brigam por causa do movimento antibiografias; os passeios secretos de Dilma; a intriga de inveja e crime do balé russo. Prefira as originais: Contigo, Amiga, Caras e afins.

A guerra das tevês

O tema de capa de Carta Capital é a guerra entre as emissoras de TV por verbas publicitárias, públicas e privadas, mirando para o domínio da Globo. A questão é saber como aferir a publicidade e, assim, estabelecer um sistema que possa medir esse negócio de milhões de reais. A revista mexe num tema para o qual os defensores da regulação da mídia pouco priorizam: a verba publicitária estatal. É correto utilizar para a distribuição das verbas publicitárias estatais (municípios, estados, União e estatais em geral) os mesmos critérios e mecanismos que se usam para as verbas publicitárias das empresas privadas? A verba pública não deveria ser utilizada como um indutor de crescimentos dos pequenos e médios e como mecanismo de democratizar o setor? Pois é, eis a questão. A revista ainda fala da história de Abílio Diniz, como o Secretário de Defesa dos EUA, General Kerry, vai se enrolando na política externa de Obama e também aponta para um problema que tudo mundo já viu: que Marinha Silva será uma ameaça constante na vida de Eduardo Campos daqui para a frente.

Nada mais a tratar, abraço a todos e boa semana.

11.05.13

CARTA CAPITAL REGISTRA QUE LIBERAÇÃO DA MACONHA ESTÁ NA PAUTA

 

A revista Carta Capital desta semana aborda a questão relacionada com a chamada legalização da maconha.
A bela matéria sobre o tema parte da seguinte premissa: “Diante da falência da guerra às drogas – o planeta não reduziu o número de dependentes ou consumo de entorpecentes, ao contrário -, qual política seria capaz de amenizar os efeitos deletérios, entre eles a violência e a corrupção?”.
O Blog do Jogo do Poder vem acompanhando o debate mundial que está em curso sobre o tema e reiteradas vezes fez ecoar aqui aspectos importantes e também em várias entrevistas no próprio programa do Jogo do Poder (Veja postagens com os temas: 1 MILHÃO DE USUÁRIOS DE MACONHA (18.07.2012); A MACONHA E O STF (28.12.2011); DELAZARI NÃO CRÊ EM LIBERAÇÃO AGORA (25.06.2011); REFLEXÕES DE FHC SOBRE MACONHA (19.04.2011).
Pode-se dizer que a Carta Capital está entrando com atraso no tema, pois outros veículos (Como a Folha de SP, por exemplo) já estão nele a mais tempo, mas tem o mérito de retomar o debate sobre o tema e em boa hora em razão dos desdobramentos que estão em curso no território americano.