VOLTARAM AS RESENHAS DAS REVISTAS VEJA, ISTOÉ, ÉPOCA E CARTA. VALE CONFERIR!

Veja chega, jornalisticamente, tão magra quanto a sua capa! Trata, como assunto central, da anorexia. Traz uma foto da esquelética Carol Magalhães, neta do gordinho, coronel baiano e já falecido Antônio Carlos Magalhães. A moça aparece repleta de ossos a mostra, pálida e se diz contente pelos seus 49 quilos. Qual é a importância disso no Brasil de hoje? Semana vem, semana vai e Veja continua a se render ao jornalismo periférico e sem conteúdo relevante. As colunas que poderiam retratar temas surpreendentes, como Holofote e Radar, insistem em nos brindar com notícias incipientes. Radar especula que Lula não descarta ser candidato a presidência em 2014 (aliás … qual e a outra profissão do ex-presidente senão eterno candidato a presidência? Quem já foi 4 vezes … ), e Holofote desperdiça precioso espaço com “informação” tão significativa quanto a que a rainha Dilma passará o final do ano numa praia do Rio Grande do Norte. Quem viver, passara por momentos de grande emoção?

Capa - Edição 806 (home) (Foto: ÉPOCA)

Época gasta a capa e boa parte da edição dessa semana com o prêmio promovido pela revista, em parceria com o portal Reclame Aqui, que elegeu as melhores empresas do país para o consumidor. O mote é que jamais as reclamações de quem consome tiveram tanto peso como atualmente, com a profusão de sites e outros canais para espalhar insatisfações aos quatro ventos. Fato. Há ainda um ranking das melhores empresas por categoria, e as ações de cada uma para aperfeiçoar seus serviços e produtos através das contestações de seus clientes. Bacana.  Mas esse alarde exagerado sobre prêmios, concursos e afins organizados pelo próprio veículo de comunicação deixa sempre uma ponta de desconfiança, uma sensação de que a autopromoção pesa mais que a credibilidade da informação. Vide os diversos anúncios dos “ganhadores” publicados nesta mesma edição. Na dúvida, leia sem entusiasmo. Na certeza, a edição deve ter arrecadado bem! Outra longa reportagem traça algumas soluções para a polícia lidar com vândalos. Soa desnecessária. Felipe Patury conta que João Santana planeja criar empresa especializada no uso da internet e redes sociais em campanhas políticas. Esse não dá ponto sem nó. Época prova ainda que esporte não é seu forte ao dar destaque a notícia velha – a opção do atacante brasileiro Diego Costa por defender a Espanha – dentro de contexto igualmente antigo – a globalização das seleções.

IstoÉ continua à frente de seu tempo e exalta mais uma descoberta da ciência que mudará o planeta. Agora, revela os estudos que identificaram os mecanismos cerebrais que levam uma pessoa a encarar as adversidades da vida com o mínimo de desgaste. É o tradicional “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima” retratado com tom pseudoacadêmico. Alguns dos “segredos” dos mais fortes: lide com a rejeição; valorize suas aptidões; pense nos seus acertos. Parece mais palestra de autoajuda. Firme na cruzada antitucana, a revista aponta agora que um procurador da República paulista engavetou os pedidos de investigação do Ministério da Justiça que pediam apuração do caso do metrô de São Paulo. A coisa tem potencial. A conferir, mas vindo de quem vem, sempre surge aquele inseto saltitante atrás da orelha. A reportagem mais interessante mostra que algumas escolas bilíngues tradicionais do Rio e SP têm cobrado ilegalmente “luvas” de até R$ 30 mil para admissão de novos alunos. Na maior cara de pau, as instituições dizem que se trata de “doações” destinadas aos fundos de desenvolvimento das escolas. Como se isso não viesse embutido nas mensalidades, por sinal cada vez mais caras. Atenção MEC! Alô Ministério Público! As escolas bilíngues não são território brasileiro ou a elite que freqüenta esses ambientes não se incomoda em ser escalpelada?

Obama, espião do papa

Em  matéria de atraso a Carta Capital foi imbatível. Com Renan acenando com a privatização do Banco Central  (afinal, o que é essa tal independência senão entregar o nosso BC para o mercado financeiro de vez?) a revista veio na capa com o tema “A era dos bisbilhoteiros” para dizer que nem o Papa se salvou da espionagem americada. Carta Capital diz que a reclamação da rainha Dilma virou referência internacional nessa questão. Então, Obama, que começou o mandato como Nobel da Paz, caminha para acabá-lo como um espião e mentiroso, como se o pobre coitado controlasse o esquema de espionagem do Estado Americano. Nem Dilma controla o nosso! No mais, a revista retrata que a periferia vai às ruas contra a violência policial, mas não diz que as elites estão quase fazendo o mesmo contra os Black Blocs. Trás uma informação interessante de que pesquisas captaram um amplo apoio popular a João Goulart às vésperas do golpe de 1964, em matéria que a curiosidade vale na medida em que os vencedores sempre disseram que o golpe é que tinha amplo apoio popular. A revista também trás matéria sobre o Bom Senso FC. Um grupo de craques que resolver meter a mão na cumbuca e reivindicar melhores condições para os jogadores brasileiros. Já era hora.

 As resenhas voltam após período sabático ! Abs