PESSUTI DESCARTA ALIANÇA COM BETO RICHA E QUER SER CANDIDATO DO PMDB

Em entrevista ao bem Paraná, na qual falou de vários temas da política, o ex-Governador Orlando Pessuti praticamente descarta a possibilidade do seu grupo apoiar uma aliança eleitoral do PMDB com o Governador Beto Richa em 2014. Pessuti sustenta que o Partido deve ter candidatura própria e quer ser o candidato a Governador. O plano “b” é uma aliança com o PT. Lei esse trecho da conversa.

Bem Paraná – O rompimento entre o senhor e o Requião não enfraquece a candidatura própria ao governo pelo PMDB?
Orlando Pessuti – A tese da candidatura própria está fortalecida com a minha posição de ser candidato e com a do Requião. Porque somados aqueles que irão nos acompanhar na convenção e aqueles que vão acompanhar o Requião, hoje nós temos maioria dos delegados convencionais. Com toda a certeza. Mas nenhum de nós vencerá se não tivermos o apoio do grupo liderado pelos deputados estaduais e também dos federais. Eu tenho consciência disso e o grupo do Requião também deve ter. Por isso eu continuo aliado ao grupo dos deputados estaduais e nós já vencemos o Requião na disputa pelo diretório estadual. Nós já retiramos o Requião do comando do diretório municipal. Eu não tenho dúvida que nós vamos com certeza impedir a candidatura do Requião ao governo do Estado.

BP – O senhor faria campanha para o Requião?
Pessuti – Ele não será escolhido. Nós vamos vencê-lo na convenção. Eu não preciso me preocupar com essa hipótese. Tenho absoluta convicção de que a união das forças do meu grupo com o grupo dos deputados estaduais e federais e também o senador Sérgio Souza, nós seremos vitoriosos na tese de que eu possa ser candidato a governador.

BP – E acha que ele faria campanha para o senhor?
Pessuti – Acredito que não.

BP – Isso não enfraquece a candidatura do PMDB?
Pessuti – Pode até enfraquecer. Mas não é isso que vai tirar de nós a oportunidade de participar com todas as condições de chegar no segundo turno e disputarmos o governo do Paraná. Nós sabemos que o senador Requião tem o seu nicho de apoio, as pesquisas mostram. É natural que hoje eu talvez esteja em uma posição atrás tanto dele quanto dos demais até porque enquanto ele disputou, se não me engano, sete eleições majoritárias, eu não disputei nenhuma ainda. Disputei duas como vice, mas o candidato a vice você fica um pouco escondido. A Gleisi (Hoffmann) já disputou três majoritárias. O Beto Richa já disputou de prefeito de Curitiba, governo duas. É natural que o meu nome seja menos conhecido que o deles.

BP – O senhor não teme ser “cristianizado”, abandonado pelo partido na campanha?
Pessuti – Não tenho medo algum de ser cristianizado. Até porque eu tenho uma identificação muito forte, uma relação de amizade com os integrantes do PMDB do Paraná, inclusive com quem defende a candidatura do Requião. São nosso amigos, companheiros. Eu não tenho nenhuma dúvida de que vencendo a convenção, terei o apoio majoritário do partido.

Bem Paraná – Muitos consideram que a eleição no Paraná deve ser polarizada entre o PSDB do governador Beto Richa e o PT de Gleisi Hoffmann. O senhor acha que há espaço para uma terceira candidatura competitiva?
Orlando Pessuti – A polarização pode até acontecer. Mas eu acredito que se tivermos uma candidatura peemedebista, a eleição será levada a um segundo turno, e portanto não haverá essa polarização para decidir já no primeiro turno. Como candidato do PMDB nós estaremos ultrapassando a margem dos 20% de intenção de voto.

BP – Os defensores da aliança com o Richa alegam que com candidato próprio e sem aliados de peso o PMDB não reelege metade da bancada na Assembleia.
Pessuti – Tenho convicção de que o PMDB tendo candidatura própria ao governo e sendo nós o candidato, que elegeremos no mínimo dez deputados estaduais e quatro a cinco federais. Por conta de que os nossos deputados estaduais têm apoio hoje significativo de prefeitos, vereadores, lideranças. A eleição de um deputado estadual ou federal não está atrelada necessariamente ao desempenho da chapa majoritária. Está aí o exemplo de Curitiba, onde o Greca teve 10% dos votos para prefeito e nós não fizemos 10% dos votos para vereador. A eleição dos deputados estaduais, existindo candidatura ao governo, tem um componente positivo, que é o voto de legenda. Pelo menos uma vaga de deputado estadual e federal você conquista na legenda. E temos hoje 13 deputados, mas o Gilberto (Martin), mais (a vereadora de Curitiba), Noêmia Rocha, que representará a (igreja) Assembleia de Deus. Temos 16 candidatos hoje competitivos. Com a nossa candidatura ao governo, temos pelo menos uns 20 outros nomes dispostos a serem candidatos a deputado estadual.
BP – Qual é a posição da direção nacional?
Pessuti – A posição é de que o partido deve ter candidaturas próprias nos estados. Se não tiver, de preferência que se faça coligação seguindo a coligação nacional (com os partidos da base da presidente Dilma).