UOL DESTACA CORTE DO GOVERNO DO PARANÁ COMO FATOR DE ATRASO DE OBRAS DA COPA

UOL destaca que atrasos de pagamentos do Governo Beto Richa retardam obras da copa em Curitiba.

Greve de operários e calote do governo atrasam obras da Copa em Curitiba

Tiago Dantas

Do UOL, em São Paulo

A Copa pós-2014: Veja obras que não ficarão prontas até o Mundial21 fotos

A preparação de Curitiba para a Copa do Mundo tinha tudo para ser uma das mais bem sucedidas. Prefeitura e governo do Estado planejaram, em 2010, um conjunto de dez obras de mobilidade e a Arena da Baixada já era considerado um estádio moderno antes da reforma ter início.

Greves, pagamentos atrasados, planejamento equivocado, problemas trabalhistas e intervenções do Tribunal de Contas, no entanto, comprometeram o andamento do processo. A reforma da Arena é uma das mais atrasadas do Brasil, o que já preocupa a Fifa, e algumas obras viárias correm o risco de nem ficarem prontas até julho de 2014.

Após dois meses sem receber o repasse do governo do Estado do Paraná, duas empreiteiras resolveram paralisar os serviços na primeira semana de dezembro. Até ontem, não havia funcionários trabalhando nos corredores Marechal Floriano Peixoto e Aeroporto-Rodoferroviária, além da Avenida da Integração – todos os projetos fazem a ligação da capital Curitiba com São José dos Pinhais.

Políticos da oposição dizem que o governo do Paraná está enfrentando problemas para pagar seus fornecedores. Há empresas que não recebem há cinco meses, mas, que, mesmo assim, preferem continuar o trabalho. Empreiteiras menores, porém, não tem reserva de dinheiro suficiente para suportar o calote, dizem deputados.

O governo paranaense confirma que houve problemas no repasse de dinheiro público a algumas empresas, mas garante que o pagamento já foi retomado. “A Comec (Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba) [órgão que contratou os trabalhos] chamará as empresas para adequar o cronograma de obras ao calendário acordado com o Ministério das Cidades”, informa o Estado.

Antes de voltar ao trabalho, os funcionários precisam preparar o canteiro de obras, o que pode atrasar o serviço. Embora o governo afirme que tudo poderá ser entregue no início de 2014, engenheiros ligados às duas intervenções acreditam que as obras viárias podem ser inauguradas entre julho e agosto.

Somadas, as três obras paralisadas somam R$ 67,9 milhões, sendo que R$ 52,3 milhões são da União e R$ 15,6 milhões são pagos pelo governo do Estado. Procuradas, as empresas Mavillis Construções Ltda e Empo (Empresa Curitibana de Saneamento e Construção Civil) não se pronunciaram.

Operários entram em greve na arena

A onda de paralisações de trabalhadores chegou também à Arena da Baixada. Nesta quarta-feira, cerca de 250 operários cruzaram os braços, alegando que não receberam o salário de novembro nem o vale-refeição. Ao todo, cerca de 1.200 operários trabalham na reforma. No final da tarde, a CAP-SA, empresa criada pelo Atlético Paranaense para fazer as obras do estádio, quitou a dívida que tinha com 140 pessoas.

Outros 110 trabalhadores resolveram manter a greve nesta quinta, 12. Eles são contratados por empresas terceirizadas e até a última noite não tinham resolvido sua situação. O Sintracon (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil) chegou a cogitar uma paralisação total. A promessa foi deixada de lado, porém, após o acordo feito com parte dos operários.

No início de outubro, as obras ficaram paradas por quase uma semana devido a problemas encontrados pelo Ministério Público do Trabalho. Quinze dias depois, o TCE (Tribunal de Contas do Estado) chegou a pedir o bloqueio de repasses de dinheiro público à reforma após encontrar irregularidades no contrato.

Procurado, o Atlético Paranaense disse que não iria se pronunciar sobre a greve de parte dos operários.

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Obras na Arena da Baixada41 fotos

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11.12.2013 – Obras da Arena da Baixada em dezembro de 2013 Gary Hershorn/Reuters