Hospitais do SUS sofrem com atrasos nos pagamentos das contas em Curitiba

Prefeitura de Curitiba deve R$ 40 milhões aos hospitais de Curitiba.

Um problema que desde muito tempo atormenta os hospitais de Curitiba credenciados ao SUS ainda persiste na atual administração.
É bem verdade que a administração Fruet tem o argumento de que recebeu o município com um acúmulo de dívidas sobre um orçamento que não foi ela quem elaborou e ainda não teve as condições de realizar o pagamento de todas as dívidas herdadas.
Mas é preciso que se olhe com toda a atenção para a situação dos hospitais filantrópicos, particularmente o Pequeno Príncipe, Erasto Gaertner e Evangélico, estruturas grandes, complexas e sem as quais o SUS curitibano não sobreviveria.
Essa e a principal manchete desta quinta-feira da Gazeta do Povo.
O repórter Diego Antonelli revela que a dívida é da ordem de R$ 40 milhões com hospitais beneficentes de Curitiba. As dívidas vêm de novembro passado.
A denúncia é da Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Paraná.
O atraso, de acordo com a Femipa, reflete no atendimento hospitalar. Algumas instituições são obrigadas a reduzir o número de plantões de médicos e correm o risco de ficar sem medicamentos.
Para se manterem financeiramente, os hospitais acabam recorrendo a empréstimos bancários, o que gera juros que não serão cobertos mais tarde. “Quando recebemos com atraso, o valor repassado pelo poder público não traz o montante do juro junto, o que faz com que percamos esse valor”, explica o presidente da Femipa, Luiz Soares Koury.
A reportagem apurou os valores que algumas das instituições contratualizadas têm a receber da cidade. No Hospital Pequeno Príncipe, referência no atendimento pediátrico, o valor atrasado chega a R$ 12,5 milhões (referentes a serviços prestados de 2012 e 2013 ainda não remunerados). No Erasto Gaertner, referência no combate ao câncer, atinge R$ 4,9 milhões. E na Maternidade Mater Dei, R$ 4,5 milhões.O município deve R$ 40 milhões aos hospitais de Curitiba.
A denúncia da Federação e a matéria são tardias, pois, como dito, trata-se de um problema recorrente e que vem castigando essas entidades desde muito tempo, inclusive com contas operadas pelo governo do Estado.
Quando esteve no Jogo do Poder no final do ano de 2013, Álvaro Carneiro, Diretor Executivo do HPP, falou sobre o tema e repetiu o que Ety Forte, também diretora daquela instituição, já havia referido nas vezes que esteve no programa nos anos anteriores.
O que se espera é que agora, manejando um orçamento que constituiu, a atual administração coloque o tema como prioridade e resolva o problema.