CASO NEYMAR E O DESEMPREGO NA ESPANHA

Quem tem desprezo ou má-vontade com os assuntos do futebol tem motivo para reclamar hoje da Espanha.
A matéria de capa do El País dá destaque total ao escândalo envolvendo a compra de Neymar pelo Barça.
Num espaço mais abaixo e bem reduzido, se considerada a importância do tema, a capa fala do desemprego. A precarização das relações trabalhistas, o crescimento do chamado mercado informal de trabalho, o desemprego, decorrentes da dura crise econômica, tem tirado o sono dos espanhóis, sobretudo da juventude que hoje se vê sem futuro e não é desprezível o número de jovens que simplesmente desiste de correr atrás do emprego.
A crise econômica, como em todo lugar, quando vêm, embora em boa parte provocada por eles, não atinge os executivos dos conglomerados financeiros, das grandes corporações e os altos funcionários do Estado, mas sobre as costas do trabalhador.
O duro é que nos próximos dias o tema Neymar, que ontem logrou provocar o pedido de demissão do presidente do Barça, seguirá no topo da pauta.
Primeiro porque agora todos querem saber o que efetivamente ocorreu, eis que todos os detalhes do negócio ainda não foram revelados.
Em segundo lugar, o próprio mundo do futebol está na berlinda e o que começa a se questionar é a falta de transparência dos clubes, sobretudo do Barça e do Real Madrid, tidos como marca da nação espanhola no mundo.
Um ex-dirigente do Sevilha está condenado a prisão e não é a primeira vez que um presidente do Barça cai, tampouco que negócios estranhos envolvendo a aquisição de jogadores vem a público.
Terceiro, aparentemente a Justiça espanhola e o Fisco parecem dispostos a ir fundo no tema.

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