ATÉ AGORA OS EUA COOPTARAM APENAS 2 DOS 5 MIL CUBANOS DO MAIS MÉDICOS

Dos cerca de 5 mil médicos cubanos que estão no Brasil, até agora somente dois deles foram cooptados pelo famoso CMPP (CUBAN MEDICAL PROFESSIONAL PAROLE). Há outros dois que teriam deixado o programa, mas que até agora não se tem notícia se teriam ou não aderido ao CMPP, segundo a organização não-governamental (ONG) Solidariedade Sem Fronteiras (SSF).

A ONG informou que, além de Ortelio Jaime Guerra, cuja deserção foi divulgada na segunda-feira, o médico José Armando Corzo Gomez está nos Estados Unidos, já residindo em Miami na casa de parentes.

 

Corzo só teria usado o Brasil como passagem para ir aos EUA e sua pretensão jamais foi trabalhar no Mais Médicos.

A SSF ajuda cubanos a deixarem missões pelo mundo e conta que há pelo menos outros quatro médicos da ilha que pediram ajuda para sair do Brasil.

O índice de adesão até agora parece ser frustrante, dado a sua insignificância considerando o número de cubanos que estão no Mais Médicos.

Na verdade, o CMPP não tem tido sucesso na sua empreitada, pois o número de médicos cubanos que aderiram ao programa dos EUA desde que ele foi criado é de fato insignificante perto do número de médicos cubanos que estão trabalhando em diversos países do mundo.

Para chegarem ao solo norte-americano, os cubanos buscam um visto humanitário chamado Cuban Medical Professional Parole (CMPP), criado pelo governo George W. Bush, em 2006. Além de ajuda para conseguir o documento, o Solidaridade sem Fronteiras oferece outros auxílios. “Prestamos ajuda financeira e jurídica”, disse a secretária da organização, Claudete Fernandes.

O presidente da SSF, Julio Cesar Alfonso, diz ter cerca de 4 mil cubanos de missões da Venezuela e Bolívia em Miami, o que representa muito pouco perto do número de médicos cubanos que já deixaram a ilha ao longo dos anos para trabalhar em outros países e mantém-se fiéis ao regime cubano.

Esse trabalho de cooptação de médicos cubanos que estão em diversos países do mundo começou a partir de agosto de 2006, sob a administração de George W. Bush, quando os EUA passou a atacar duramente o programa através da criação do programa denominado Cuban Medical Professional Parole, cujo objetivo é incentivar os médicos cubanos no exterior a desertar e ir para os EUA onde sua entrada e o exercício profissional são facilitados, pois gozam de bom conceito no mercado americano pela sua excelência em saúde básica.

Até agora o programa de Bush produziu resultados limitados, pois, de um número estimado de 40.000 profissionais cubanos que mantém-se no exterior, somados a todos os outros que já saíram da ilha desde 1963, quando iniciou o programa, logrou éxito em cooptar apenas cerca de 1.000 até outubro de 2007, de acordo com o chefe de gabinete do EUA Rep. Lincoln Diaz-Balart, o que desmente a informação da SSF.

A ação do governo norte-americano tem sido fortemente denunciada por entidades e publicações internacionais na medida em que coloca a questão ideológica acima da humanitária, já que o programa cubano visa prestar solidariedade a populações pobres no mundo todo.

O programa do Governo Cubano para envio de médicos a outros países teve início em 1963, como parte de uma política externa de apoio a lutas anti-coloniais, quando uma pequena brigada médica chegou a Argélia que se ressentia de uma retirada em massa de médicos franceses em razão da guerra pela independência. Paradoxalmente, Cuba fez isso em um momento em que metade dos seus 6000 médicos haviam deixado o país em razão da reveolução Cubana de 1959 (Wikipedia).

A partir daí, entre 1966 e 1974, os médicos cubanos trabalharam na Guiné-Bissau, Angola,Nicarágua e em 2007 Cuba já tinha 42 mil trabalhadores em programas de cooperação internacional em 103 países, dos quais mais de 30.000 são profissionais de saúde, incluindo nada menos que 19 mil médicos.

Cuba, sozinha, fornece mais médicos para o mundo em desenvolvimento do que todo o contingente dos paízes do G8, os ditos países desenvolvido juntos.

As missões cubanas tiveram impacto positivo significativo sobre as populações atendidas e essas missões de profissionais de saúde no exterior são destinadas a fornecer serviços a baixo custo para o país anfitrião. ”Os pacientes não são cobrados por serviços, e os países beneficiários devem cobrir apenas o custo da habitação coletiva, passagem aérea e alimentação limitada e suprimentos não superior a US $ 200 por mês. Enquanto os médicos cubanos estão no exterior, eles continuam a receber seus salários como bem como uma remuneração em moeda estrangeira” (Wikipedia).

Os médicos cubanos que vão ao exterior acabam recebendo uma remuneração melhor que a que recebem no seu país (US $ 23 por mês, valor considerado baixo para os padrões internacionais de $ 183 por mês), circunstância que não tem sido impecilho para o desenvolvimento do programa ao longo dos anos na medida em que o ideal socialista de desenvolvimento e preservação da ajuda humanitária internacionalista que define a causa (Wikipedia).

Leia o artigo que segue:

– Revista Sul

Um escândalo moral bem conhecido pela grande mídia, mas não declarada em tudo que é ligado ao chamado Cuban Medical Professional Parole. Um programa do Departamento de Estado dos EUA, promovendo a deserção e recrutamento de profissionais médicos que fazem parte das brigadas de solidariedade cubanos no exterior.

Abordar esta questão implicaria citar estatísticas sobre a enorme tarefa empreendida por Cuba no campo da medicina. Só para dar uma idéia, existem mais de 37 000 profissionais de saúde que trabalham em 77 países do mundo e isso inclui programas de cooperação Sul-Sul, a iniciativa olho-cirurgia gratuita que beneficiou 1,5 milhões de pessoas pobres, a luta contra a cólera no Haiti, e a concessão de bolsas de estudo para cerca de 4.000 estudantes de 23 países, incluindo os Estados Unidos.

The Cuban Medical Professional Parole é uma iniciativa coordenada pelo Departamento de Estado dos EUA e do Departamento de Segurança Interna desde 2006. Como você pode ler no Departamento de Estado webpage, a iniciativa oferece um tratamento especial às embaixadas dos EUA em qualquer parte do mundo e uma entrada de fast track para os Estados Unidos para os profissionais de saúde em diversas especialidades,” que são enviados pelo regime de Castro trabalhar ou estudar nos países terceiros. ”

Um comunicado da embaixada dos EUA em Caracas, publicado pela Wikileaks, oferece mais detalhes, como que as missões diplomáticas fornecem transporte aéreo especial para Miami para aqueles que aderirem ao programa.

O Wall Street Journal publicou um relatório em Janeiro de 2011 assegurando que 1 574 profissionais de saúde cubanos aderiram ao programa dos EUA em 65 países diferentes, desde que foi lançado quatro anos e meio atrás . Os números parecem bastante grande, mas vamos fazer alguns cálculos para ver o impacto real pela iniciativa dos EUA. Se considerarmos, como diz que a publicação apenas em 2010, havia mais de 37 000 profissionais de saúde cubanos no exterior e que tal missão período-flutuante, de acordo com a tarefa específica, geralmente leva dois anos, no período em que o artigo se refere Cuba teria enviado pelo menos 83 000 médicos. Assim, os profissionais recrutados 1 574 seria de 1,89 por cento do total. Estes resultados revelam uma falha clara se tivermos em mente que a iniciativa dos EUA trabalha em um orçamento federal e utiliza centenas de funcionários, como é impulsionado por todas as embaixadas dos EUA em todo o mundo e é apoiado por poderosos aliados políticos e meios de comunicação em vários países.

Por outro lado, não é por acaso que o grande número de profissionais cubanos que aderiram ao programa “parole” foram trabalhar na Venezuela. O maior número de trabalhadores da saúde cubanos está a cooperar com este país e eles estão ajudando comunidades carentes, como parte da missão Adentro saúde Barrio. É óbvio que, neste caso, a iniciativa dos EUA tem um objetivo específico: a minar este programa social, que é, provavelmente, a tarefa mais bem-sucedido realizado pelo governo de Hugo Chávez com assistência médica cubana como seu pilar principal.

Esta iniciativa do governo dos EUA insiste em manipular a emigração cubana com fins de desestabilização social e política. Não esquecer que, desde 1966, a Lei de Ajuste Cubano concede a todos os cubanos migrarem ilegalmente para o território dos EUA os privilégios de residência e outras vantagens trabalhistas e sociais, que são negadas a outros emigrantes latino-americanos, que estão sujeitos a uma política de repatriamento sistemática.

O programa de recrutamento dos EUA para médicos cubanos está direta ou indiretamente apoiado por outros fatores, como os meios de comunicação corporativos. Os meios de comunicação privados baseados nos países onde a assistência médica cubana tem um impacto forte, como Venezuela, Nicarágua, Bolívia, silenciam esse impacto, enquanto montam toda uma cobertura especial se apenas um dos médicos cubanos decide desertar.

Em Miami, existem outras “organizações não governamentais” também voltadas a este programa de recrutamento dos EUA. Este é o caso de “sin Fronteras Solidaridad”, que nomeou “Barrio Afuera” suas principais ações de cooperação com o governo dos EUA. Em sua página na Internet, esta organização ainda lança os formulários a serem preenchidos pelos médicos cubanos e os endereços dos EUA consulados e embaixadas, onde podem recorrer.

Esta organização (Solidariedade sem Fronteiras) apoiou a ação movida por vários médicos cubanos que desertaram das suas missões, com o Tribunal Federal de Miami contra empresa de petróleo da Venezuela PDVSA. Alegaram 450 milhões de dólares em termos de compensação para o que eles descreveram como “trabalho forçado” ou “moderno trabalho escravo” para se referir à assistência médica ofereceram em bairros e comunidades rurais na Venezuela, onde eles nunca foram forçados a ir.

É importante lembrar que a cooperação médica cubana em Venezuela tem características especiais se comparado a outros programas de assistência à saúde cubanos. Neste caso, o programa faz parte de um acordo bilateral por meio do qual Cuba fornece milhares de profissionais nas áreas de saúde, educação, esportes, agricultura e, em troca, a ilha é fornecido com o petróleo em condições preferenciais.

Cuba ganhou o reconhecimento da população e dos governos do Terceiro Mundo, devido à sua assistência e solidariedade. Os meios de comunicação continuam a silenciar tudo isso e esquecer seu compromisso social informando sobre exemplo esta pequena ilha do país agora sob o ataque dos EUA, de uma das mais sujas iniciativas diplomáticas sempre: um escândalo que tem sido silenciado (Revista Sul).