QUAL É A DIFERENÇA ENTRE A VIDA DE UM POLICIAL MILITAR E A DE UM JORNALISTA?

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Essas fotos são de uma manifestação ocorrida no Rio de Janeiro no ano passado em que um Coquetel Molotov atingiu um contingente da tropa da Polícia Militar e um soldado foi duramente atingido, sofreu lesões graves que impuseram internação, dor e sofrimento a ele e sua família.

Qual foi a repercussão que o caso teve na mídia? Qual é o interesse da mídia em saber como está o soldado hoje? Alguém da mídia, de alguma de suas entidades, algum órgão de comunicação relevante, veio a público condenar enfaticamente o ato de terror?

No caso do Coquetel Molotov, o artefato foi usado com o claro propósito de atentar contra a vida dos policiais, ou seja, uma clara tentativa de homicídio.

Eis que agora, como era de se prever, novamente a estupidez mostrou a sua face e quem foi atingido desta vez não foi um soldado da Polícia Militar. Foi um cinegrafista. Um profissional sério, dedicado, pai de família e que estava trabalhando quando foi covardemente atingido por um artefato de fogo manejado por um manifestante, mascarado, incógnito.

A intenção desse manifestante, no entanto, exatamente como já havia ocorrido no caso do Coquetel Molotov, era atingir a Polícia Militar, mas, acidentalmente, o artefato dirigiu-se para o lado errado e atingiu o cinegrafista.

No caso do Coquetel Molotov o PM também era um profissional sério, dedicado, pai de família e estava em seu trabalho.

Se o manifestante tivesse atingido o seu intento e ao invés de acertar o cinegrafista tivesse acertado um PM as entidades representativas dos profissionais e da grande mídia estariam produzindo as duras manifestações que estamos vendo emitirem agora?

O PM está na manifestação para defender a democracia e o jornalista é “imparcial”, só está lá para registrar o fato?

Não é obrigação de todos defender a democracia, inclusive dos profissionais de imprensa?

As manifestações das entidades dos profissionais de imprensa postulando para eles um tratamento diferenciado, porque são eles fundamentais na democracia e, portanto, qualquer agressão a eles deveria ser sancionada mais duramente, é ato oportunista de corporativismo. É o que mais se vê no editorial tardio do Jornal Nacional da Rede Globo, cujo comportamento até agora em relação aos Black Blocs foi de mera contemplação, afinal, o jornalismo é “imparcial”, não tem lado e, portanto, não pode assumir a defesa da democracia, só dos jornalistas quando a “liberdade de expressão” é ameaçada, coisa que, nem de longe, se vê no lamentável acidente com o cinegrafista.

A defesa da democracia cabe a todos e é bom dizer que a PM está na rua para garantir a democracia e o jornalista deveria agir da mesma forma. A tal “neutralidade” só se presta a alimentar o monstro contra a democracia.

O que tem que ser defendido é a democracia. O jornalista é apenas uma parte dela.

Vejam os exemplos de algumas matéria sobre o tema, nas resenhas do Jogo do Poder das revistas semanais, e o editorial tardio do Jornal Nacional. A “imparcialidade” jornalística impediu uma condenação dura do comportamento anti-democrático que só poderia acabar em tragédia.

A RESENHA DAS REVISTAS VEJA, ÉPOCA, ISTOÉ E CARTA CAPITAL

 

 

Veja chega hilariante e bizarra !!! Alguém ai sabia que a mãe do mais medíocre dos papagaios – a botocada e eterna cozinheira Ana Maria Braga – jamais teve celulites ou estrias? Pois Veja diz que sim em suas frases de destaque! E que o competente – e não menos performático e exibicionista técnico de vôlei Bernardinho – filiou se ao PSDB do Rio de Janeiro de olho na cadeira do bom malandro carioca e, nas horas vagas, governador Cabral? Pois Veja informa que é verdade na coluna Radar! A companheira do danado Cabral – uma “renomada” advogada – fatura por mês quase 200 mil reais ao prestar serviços para empresas ligadas ao governo fluminense! Basta procurar em Veja que vc encontrara ampla reportagem! Já o filho do Universal bispo Edir Macedo – de nome Moysés – aparece em foto sem camisa e com uma das mãos nas partes íntimas … e ainda posta no twitter que preferiria se chamar Lúcifer! Só pode ser coisa do demônio! Será mentira ou será verdade? Para quem quiser ver, Veja estampa na coluna Gente! Um psicólogo americano – também conhecido por Philip Zimbardo – diz a Veja que todos os humanos nascem com o mal enraizado em seus cérebros e não praticá-lo é só uma questão de autocrítica! Em seis das tradicionais páginas amarelas da semanal a psicanálise tenta revelar toda a maldade praticada no mundo. Uma jóia de fazer inveja a Freud e incomodar o mestre da sacanagem Maquiavel! Para completar a coleção de notícias excêntricas, na capa o perfil dos mascarados Black Blocs, também conhecidos por um bando de jovens sem nada para fazer a não ser depredar o patrimônio público e privado. E ainda voltam para casa sem levar sequer um chega pra lá das autoridades. Veja diz que os “manifestantes” se inspiram nos movimentos gringos … e o nosso Brasil do samba, das portentosas bundas e da malandragem desenfreada, que até para a baderna busca inspiração lá fora !

Capa - Edição 807 (home) (Foto: ÉPOCA)

Para mergulhar no universo dos Black Blocs, a Época passou um fim de semana num sítio onde os vândalos mascarados recebem treinamento. Mostrou que eles têm certa organização, algum financiamento externo e trouxe breve perfil de alguns membros, como a ex-presidiária de olhos verdes que estampa a capa. Mas a leitura da reportagem termina sem grandes conclusões … parte pela falta de contundência do texto, parte pela falta de um ideário concreto e homogêneo por parte do grupo. De qualquer modo, uma boa tentativa de tirar repórteres do conforto preguiçoso da redação e resgatar o jornalismo de apuração. Outra ferida tocada é a das gordas pensões de filhas de funcionários públicos mortos, que para seguirem recebendo a mamata deixam de casar no papel … coisas que muitos no Brasil ainda vêem como esperteza, mas é apenas mais uma vergonha. Outra boa sacada foi a matéria com o grande Harold Bloom, o maior crítico literário vivo. Ele fala sobre o novo livro em que faz releitura de sua obra-prima, A angústia da influência. O problema é que, temendo gafes e abordagens incorretas, o repórter/editor transformou a matéria em mera repetição das frases de Bloom, em que ele reafirma suas já conhecidas teorias sobre a influência de escritores sobre gênios antecessores, a nocividade do olhar ideológico sobre a arte e a inutilidade da literatura de massa. Ficou enfadonho.

Edição do dia 10/02/2014

10/02/2014 20h56 – Atualizado em 10/02/2014 21h08

Editorial da Rede Globo sobre a morte de cinegrafista

A Rede Globo divulgou nesta segunda-feira (10) o seguinte editorial:

Não é só a imprensa que está de luto com a morte do nosso colega da TV Bandeirantes Santiago Andrade. É a sociedade.

Jornalistas não são pessoas especiais, não são melhores nem piores do que os outros profissionais. Mas é essencial, numa democracia, um jornalismo profissional, que busque sempre a isenção e a correção para informar o cidadão sobre o que está acontecendo. E o cidadão, informado de maneira ampla e plural, escolha o caminho que quer seguir. Sem cidadãos informados não existe democracia.

Desde as primeiras grandes manifestações de junho, que reuniram milhões de cidadãos pacificamente no Brasil todo, grupos minoritários acrescentaram a elas o ingrediente desastroso da violência. E a cada nova manifestação, passaram a hostilizar jornalistas profissionais.

Foi uma atitude autoritária, porque atacou a liberdade de expressão; e foi uma atitude suicida, porque sem os jornalistas profissionais, a nação não tem como tomar conhecimento amplo das manifestações que promove.

Também a polícia errou – e muitas vezes. Em algumas, se excedeu de uma forma inaceitável contra os manifestantes; em outras, simplesmente decidiu se omitir. E, em todos esses casos, a imprensa denunciou. Ou o excesso ou a omissão.

A violência é condenável sempre, venha de onde vier. Ela pode atingir um manifestante, um policial, um cidadão que está na rua e que não tem nada tem a ver com a manifestação. E pode atingir os jornalistas, que são os olhos e os ouvidos da sociedade. Toda vez que isso acontece, a sociedade perde, porque a violência resulta num cerceamento à liberdade de imprensa.

Como um jornalista pode colher e divulgar as informações quando se vê entre paus e pedras e rojões de um lado, e bombas de efeito moral e bala de borracha de outro?

Os brasileiros têm o direito de se manifestar, sem violência, quando quiserem, contra isso ou a favor daquilo. E o jornalismo profissional vai estar lá – sem tomar posição a favor de lado nenhum.

Exatamente como o nosso colega Santiago Andrade estava fazendo na quinta-feira passada. Ele não estava ali protestando, nem combatendo o protesto. Ele estava trabalhando, para que os brasileiros fossem informados da manifestação contra o aumento das passagens de ônibus e pudessem formar, com suas próprias cabeças, uma opinião sobre o assunto.

Mas a violência o feriu de morte aos 49 anos, no auge da experiência, cumprindo o dever profissional.

O que se espera, agora, é que essa morte absurda leve racionalidade aos que contaminam as manifestações com a violência. A violência tira a vida de pessoas, machuca pessoas inocentes e impede o trabalho jornalístico, que é essencial – nós repetimos – essencial numa democracia.

A Rede Globo se solidariza com a família de Santiago, lamenta a sua morte, e se junta a todos que exigem que os culpados sejam identificados, exemplarmente punidos. E que a polícia investigue se, por trás da violência, existe algo mais do que a pura irracionalidade.

 

E a classe artística?

Caetano Veloso deu a maior força para o Fabio Black Bloc. Lembra? http://t.co/JlkEU9k8hW
Geraldo Saldanha (@geraldo1963) posted a photo on Twitter
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