DONADON REVELA 171 DEPUTADOS FEDERAIS CAPAZES DE SAFADEZA

De fato, os números revelam a quantidade de deputados de caráter flexível na Câmara Federal.

Quando a votação foi secreta, os votos favoráveis à cassação de Donadon somaram apenas 233 votos.

Foram 131 votos contra e 41 abstenções.

Ontem, com o voto aberto, votaram pela cassação 467 deputados.

Então, 131 deputados votaram contra a cassação quando o voto era secreto e agora votaram pela cassação na votação aberta.

Safadeza, covardia, pobreza de caráter são adjetivos que cabem no caso desses 131.

Antes foram 41 abstenções e agora só 1, do deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA).

Ou seja, a esses 40 que antes se abstiveram e agora votaram na cassação pode-se também utilizar os mesmos adjetivos usados em relação aos 131.

O deputado que se absteve agora pode estar equivocado, mas não foi safado. Ao contrário, mostrou lealdade e convicção em relação ao posicionamento anterior, se é que também se absteve lá.

No total, são 171 covardes.

Leia a postagem sobre o tema de 28.08.2013:

 

131 DEPUTADOS FEDERAIS SAFADOS MANTÉM O MANDATO DO PRESIDIÁRIO DONADON

 

O deputado Natan Donadon (RO) deixa a Câmara dos Deputados após ser absolvido no processo de cassação e entra algemado na viatura da polícia. Foto: André Coelho / Agência O Globo

 

Safado significa descarado, desavergonhado, atrevido, insolente (Dicionário on line de português).

Câmara dos Deputados

Não há como conceber uma Democracia Constitucional de Direitos sem um parlamento livre e soberano. Quando o Ministro Joaquim Barbosa votou propondo que a condenação no STF implicava na perda imediata do mandato parlamentar vi ali uma invasão nas prerrogativas do parlamento brasileiro. A regra que dá ao Congresso a prerrogativa de cassar seus membros tem sentido porque um parlamentar pode ser vítima de uma condenação por crime de opinião, por exemplo, e o Congresso tem autonomia para defende-lo, mantendo o seu mandato mesmo condenado. É uma forma legítima do parlamento afirmar suas prerrogativas em qualquer Estado de Democracia Constitucional.

O que não tem sentido é o Congresso não cassar um deputado condenado por crime de improbidade, corrupção, estupro, etc, etc, etc … Isso é do senso comum.

Pois bem, o que o Brasil viu foi um dos episódios mais lamentáveis da história do parlamento brasileiro: pior que o seu fechamento pela ditadura.

131 safados impediram que a Câmara dos Deputados cassasse  o mandato de um deputado condenado por corrupção, com sentença transitada em julgado, e cumprindo pena.

São deputados de si mesmos, de costas para a sociedade.

Uma pena que os safados possam se esconder atrás do voto secreto.

Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

O Plenário manteve o mandato do deputado Natan Donadon (PMDB-RO), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crime de peculato e formação de quadrilha. Para ser cassado, eram necessários 257 votos ou mais a favor da perda do mandato. Os favoráveis à cassação somaram apenas 233 votos, contra 131 e 41 abstenções.

Apesar do resultado, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, tomou a decisão de afastar o parlamentar, já que Donadon não poderá exercer as atribuições do mandato.

“Devido ao fato de o parlamentar cumprir pena de privação de liberdade em regime fechado, considero-o afastado do exercício de seu mandato”, disse Alves. “Convoco o suplente para exercer o mandato em caráter de substituição durante o tempo em que permanecer o impedimento do titular”, afirmou.

O suplente de Natan Donadon é Amir Lando (PMDB-RO), que poderá assumir já nesta quinta-feira (29).

A Secretaria-Geral da Mesa informou que, mesmo permanecendo deputado, Natan Donadon continuará sem receber salário e a Câmara vai prosseguir com a ação para reaver o apartamento funcional ocupado indevidamente pela família do parlamentar. O deputado já recorreu ao STF pedindo que a Câmara pague o seu salário.

Retorno à prisão
Donadon está preso em Brasília desde o dia 28 de junho, condenado em última instância pelo STF pelo desvio de R$ 8,4 milhões da Assembleia de Rondônia, quando era diretor financeiro da instituição.

Ele compareceu ao Plenário nesta quarta-feira para se defender e, após a votação do processo de cassação, retornou à Penitenciária da Papuda. “Deus me deu forças para dizer a verdade, para dizer ao povo a verdade dos fatos. Eu agradeço a Deus que a justiça está sendo feita”, afirmou (Agência Câmara).