Médicos cubanos: o Ouro de Tolo da oposição?

A médica cubana Ramona Matos Rodriguez não quer mais integrar as equipes do Programa Mais Médicos e se refugiou na Câmara dos Deputados até o governo responder o pedido de asilo político, onde está desde o dia 04 na sala da liderança do DEM na Câmara dos Deputados.

Demorou para acontecer. Isso tem acontecido em países onde tem médicos cubanos atuando e não é a primeira vez que um cubano prática esse gesto no Brasil.

A questão agora está em que a oposição pretende politizar o fato e a presença da médica num gabinete do DEM na Câmara dá o tom da sua exploração política. Será um troféu nas mãos do DEM?

Se é esse o caminho, a oposição vai errar novamente, tal como já errou quando se opôs à instituição do próprio programa. Por enquanto parece que só o DEM resolver abraçar a causa.

É um erro de fácil compreensão. Como se indignar com o salário da médica cubana, com a ditadura cubana, e não se indignar e colocar como prioridade na pauta as condições de milhões de brasileiros que sequer têm acesso a um médico?

Assim, a oposição vai falar ao vento porque o eleitor brasileiro não está nem aí para a falta de democracia em Cuba.

O que o eleitor quer é um projeto de superação da vergonhosa miséria a que está submetida boa parte da ralé brasileira e esse fundamentalmente é o motivo pelo qual não tem existido diálogo, empatia e identificação entre o discurso da oposição e o povão.

A oposição não tem projeto, não tem programa ou propostas capazes de sensibilizar essa massa imensa de eleitores para os quais a gestão do PT no governo federal, de fato, tem dado atenção com diversas iniciativas e o mais médicos é só uma delas.

Afinal, o que deveria nos causar mais revolta, mais indignação e mais vergonha? O fato do país ter um contingente absurdo de brasileiros sem acesso a médico ou o fato do país estar importando médicos para atendê-los? O fato de estarmos importando médicos ou o fato dos médicos que temos não se inscreveram no programa do governo para atender aquela gente pobre? O que é mais urgente, levar médico a essas populações pobres ou dar um plano de carreira e salários de 15 a 25 mil reais para os médicos, como os que tem os juízes e promotores (que é o que estão pedindo)? Vai prevalecer a lógica histórica de que povo pobre tem que esperar, já que esperou até agora, até que o Estado construa consultórios com estrutura nos grotões, até que venha um plano de carreiras para os médicos com os salários que querem, até que se faça concurso público para contrata-los? Primeiro vamos atender os médicos para depois atender o povo?

A questão não é se torço para o Flamengo ou o PSDB, Santos ou PT, se sou Dilma, Lula, Serra ou Aécio, se torço para o capitalismo ou o comunismo, se é melhor ser católico ou evangélico, se amo ou odeio o ditador Fidel Castro (se amei ou odiei Médice, Geisel e Figueiredo), se sou de esquerda ou de direita e se tampouco as formas estão bem atendidas.

O importante é que a população pobre efetivamente tenha acesso a um direito fundamental historicamente negado: a saúde.

A questão é HUMANITÁRIA! Então, penso que o importante é o principal e o acessório que aguarde! Isso não é uma querela partidária. Não é um concurso do programa do Silvio Santos. Trata-se de cuidar de gente. O resto é bobagem partidária e corporativa.

Aliás, recomendo a leitura da Medida Provisória do programa Mais Médicos, eis que tem gente falando do assunto sem tomar essa providência elementar. Como opinar se não se sabe e não se conhece o objeto sobre o qual se está opinando?

Para compreender bem a presença de médicos cubanos para o Brasil e a inúmeros outros países é preciso buscar informações boas e fugir do senso comum, da ignorância e da má-fé ideologica.

O programa do Governo Cubano para envio de médicos a outros países teve início em 1963, como parte de uma política externa de apoio a lutas anti-coloniais, quando uma pequena brigada médica chegou a Argélia que se ressentia de uma retirada em massa de médicos franceses em razão da guerra pela independência. Paradoxalmente, Cuba fez isso em um momento em que metade dos seus 6000 médicos haviam deixado o país em razão da reveolução Cubana de 1959 (Wikipedia).

A partir daí, entre 1966 e 1974, os médicos cubanos trabalharam na Guiné-Bissau, Angola,Nicarágua e em 2007 Cuba já tinha 42 mil trabalhadores em programas de cooperação internacional em 103 países, dos quais mais de 30.000 são profissionais de saúde, incluindo nada menos que 19 mil médicos.

Cuba, sozinha, fornece mais médicos para o mundo em desenvolvimento do que todo o contingente dos paízes do G8.

As missões cubanas tiveram impacto positivo significativo sobre as populações atendidas e essas missões de profissionais de saúde no exterior são destinadas a fornecer serviços a baixo custo para o país anfitrião. ”Os pacientes não são cobrados por serviços, e os países beneficiários devem cobrir apenas o custo da habitação coletiva, passagem aérea e alimentação limitada e suprimentos não superior a US $ 200 por mês. Enquanto os médicos cubanos estão no exterior, eles continuam a receber seus salários como bem como uma remuneração em moeda estrangeira” (Wikipedia).

Os médicos cubanos que vão ao exterior acabam recebendo uma remuneração melhor que a que recebem no seu país (US $ 23 por mês, valor considerado baixo para os padrões internacionais de $ 183 por mês), circunstância que não tem sido impecilho para o desenvolvimento do programa ao longo dos anos na medida em que o ideal socialista de desenvolvimento e preservação da ajuda humanitária internacionalista que define a causa (Wikipedia).

Mas a partir de agosto de 2006, sob a administração de George W. Bush, os EUA passou a atacar duramente o programa através da criação de um programa denominado Cuban Medical Professional Parole, cujo objetivo é incentivar os médicos cubanos no exterior a desertar e ir para os EWUA onde sua entrada e o exercício profissional são facilitados, pois gozam de bom conceito no mercado americano pela sua excelência em saúde básica. O programa de Bush produziu resultados limitados até agora e de um número estimado de 40.000 profissionais cubanos no exterior logrou éxito em cooptar apenas cerca de 1.000 até outubro de 2007, de acordo com o chefe de gabinete do EUA Rep. Lincoln Diaz-Balart .

A ação do governo norte-americano tem sido fortemente denunciada por entidades e publicações internacionais. Leia o artigo que segue:

– Revista Sul

Um escândalo moral bem conhecido pela grande mídia, mas não declarada em tudo que é ligado ao chamado Cuban Medical Professional Parole. Um programa do Departamento de Estado dos EUA, promovendo a deserção e recrutamento de profissionais médicos que fazem parte das brigadas de solidariedade cubanos no exterior.

Abordar esta questão implicaria citar estatísticas sobre a enorme tarefa empreendida por Cuba no campo da medicina. Só para dar uma idéia, existem mais de 37 000 profissionais de saúde que trabalham em 77 países do mundo e isso inclui programas de cooperação Sul-Sul, a iniciativa olho-cirurgia gratuita que beneficiou 1,5 milhões de pessoas pobres, a luta contra a cólera no Haiti, e a concessão de bolsas de estudo para cerca de 4.000 estudantes de 23 países, incluindo os Estados Unidos.

The Cuban Medical Professional Parole é uma iniciativa coordenada pelo Departamento de Estado dos EUA e do Departamento de Segurança Interna desde 2006. Como você pode ler no Departamento de Estado webpage, a iniciativa oferece um tratamento especial às embaixadas dos EUA em qualquer parte do mundo e uma entrada de fast track para os Estados Unidos para os profissionais de saúde em diversas especialidades,” que são enviados pelo regime de Castro trabalhar ou estudar nos países terceiros. ”

Um comunicado da embaixada dos EUA em Caracas, publicado pela Wikileaks, oferece mais detalhes, como que as missões diplomáticas fornecem transporte aéreo especial para Miami para aqueles que aderirem ao programa.

O Wall Street Journal publicou um relatório em Janeiro de 2011 assegurando que 1 574 profissionais de saúde cubanos aderiram ao programa dos EUA em 65 países diferentes, desde que foi lançado quatro anos e meio atrás . Os números parecem bastante grande, mas vamos fazer alguns cálculos para ver o impacto real pela iniciativa dos EUA. Se considerarmos, como diz que a publicação apenas em 2010, havia mais de 37 000 profissionais de saúde cubanos no exterior e que tal missão período-flutuante, de acordo com a tarefa específica, geralmente leva dois anos, no período em que o artigo se refere Cuba teria enviado pelo menos 83 000 médicos. Assim, os profissionais recrutados 1 574 seria de 1,89 por cento do total. Estes resultados revelam uma falha clara se tivermos em mente que a iniciativa dos EUA trabalha em um orçamento federal e utiliza centenas de funcionários, como é impulsionado por todas as embaixadas dos EUA em todo o mundo e é apoiado por poderosos aliados políticos e meios de comunicação em vários países.

Por outro lado, não é por acaso que o grande número de profissionais cubanos que aderiram ao programa “parole” foram trabalhar na Venezuela. O maior número de trabalhadores da saúde cubanos está a cooperar com este país e eles estão ajudando comunidades carentes, como parte da missão Adentro saúde Barrio. É óbvio que, neste caso, a iniciativa dos EUA tem um objetivo específico: a minar este programa social, que é, provavelmente, a tarefa mais bem-sucedido realizado pelo governo de Hugo Chávez com assistência médica cubana como seu pilar principal.

Esta iniciativa do governo dos EUA insiste em manipular a emigração cubana com fins de desestabilização social e política. Não esquecer que, desde 1966, a Lei de Ajuste Cubano concede a todos os cubanos migrarem ilegalmente para o território dos EUA os privilégios de residência e outras vantagens trabalhistas e sociais, que são negadas a outros emigrantes latino-americanos, que estão sujeitos a uma política de repatriamento sistemática.

O programa de recrutamento dos EUA para médicos cubanos está direta ou indiretamente apoiado por outros fatores, como os meios de comunicação corporativos. Os meios de comunicação privados baseados nos países onde a assistência médica cubana tem um impacto forte, como Venezuela, Nicarágua, Bolívia, silenciam esse impacto, enquanto montam toda uma cobertura especial se apenas um dos médicos cubanos decide desertar.

Em Miami, existem outras “organizações não governamentais” também voltadas a este programa de recrutamento dos EUA. Este é o caso de “sin Fronteras Solidaridad”, que nomeou “Barrio Afuera” suas principais ações de cooperação com o governo dos EUA. Em sua página na Internet, esta organização ainda lança os formulários a serem preenchidos pelos médicos cubanos e os endereços dos EUA consulados e embaixadas, onde podem recorrer.

Esta organização (Solidariedade sem Fronteiras) apoiou a ação movida por vários médicos cubanos que desertaram das suas missões, com o Tribunal Federal de Miami contra empresa de petróleo da Venezuela PDVSA. Alegaram 450 milhões de dólares em termos de compensação para o que eles descreveram como “trabalho forçado” ou “moderno trabalho escravo” para se referir à assistência médica ofereceram em bairros e comunidades rurais na Venezuela, onde eles nunca foram forçados a ir.

É importante lembrar que a cooperação médica cubana em Venezuela tem características especiais se comparado a outros programas de assistência à saúde cubanos. Neste caso, o programa faz parte de um acordo bilateral por meio do qual Cuba fornece milhares de profissionais nas áreas de saúde, educação, esportes, agricultura e, em troca, a ilha é fornecido com o petróleo em condições preferenciais.

Cuba ganhou o reconhecimento da população e dos governos do Terceiro Mundo, devido à sua assistência e solidariedade. Os meios de comunicação continuam a silenciar tudo isso e esquecer seu compromisso social informando sobre exemplo esta pequena ilha do país agora sob o ataque dos EUA, de uma das mais sujas iniciativas diplomáticas sempre: um escândalo que tem sido silenciado (Revista Sul).