COMO LULA E FHC, DILMA TEM O PROTAGONISMO NO PROCESSO DE REELEIÇÃO

A coluna do jornalista Fernando Rodrigues trás bons argumentos para reflexão sobre a nova pesquisa do Ibope, em que houve queda na popularidade do Governo Dilma.

No texto, Rodrigues considera que Dilma está com uma boa dianteira no aspecto reeleição, pois tanto FHC quanto Lula estavam no mesmo patamar quando, no mesmo período dos seus mandatos, se dirigiam para a reeleição.

Aliás, ambos estavam com imagem desgastada, sendo que, no caso de Lula, com o Mensalão depositado em suas contas.

Mas é bom acrescentar que a pancadaria que o discurso economicista desce sobre o lombo de Dilma hoje, a má vontade dos meios de comunicação e da elite empresarial e financeira, é muito mais visível em intensa em Dilma que em Lula no Mensalão.

Se de um lado, como acentua Rodrigues, a rejeição de Dilma é um pouco maior que a de Lula na mesma época dos mandatos, também é certo que os programas sociais são muito mais densos e exuberantes que eram na época em que Lula partiu para a reeleição.

O programa Minha Casa Minha Vida tem hoje números exuberantes, o Bolsa Família uma área de cobertura muito mais numerosa e extensa, o Prouni e o Fies também cresceram de maneira exponencial e ainda tem o Mais Médicos, cujos efeitos ainda estão por ser sentidos eleitoralmente.

Dilma tem ainda a iniciativa política e o protagonismo do cenário, sendo, assim, uma adversária duro de ser batida, gostem ou não.

 

Aprovação de Dilma hoje é igual à de Lula pós-mensalão em março de 2006121

Fernando Rodrigues 27/03/2014 16:16

Mas petista tem agora rejeição pior que a do antecessor há 8 anos

A pesquisa CNI/Ibope divulgada hoje (27.mar.2014) indica que a presidente Dilma Rousseff tem no momento uma aprovação para o seu governo igual ou no mesmo patamar do que teve Luiz Inácio Lula da Silva em março de 2006, também um ano eleitoral em que o ocupante do Planalto buscava mais um mandato.

Segundo o Ibope, Dilma tem 36% de aprovação para o seu governo (os que respondem que sua administração é boa ou o ótima). Outros 36% consideram o comando dilmista regular. E 27% cravaram que é ruim ou péssimo.

Nesta mesma época e na mesma pesquisa em março de 2006, os percentuais do governo de Lula eram 38% de ótimo ou bom, 39% de regular e 22% de ruim ou péssimo. Naquela época, o petista ainda sentia os efeitos do escândalo do mensalão, surgido em 2005.

Esses números todos podem ser vistos na página de pesquisas deste site, que tem a maior compilação de levantamentos de intenção de voto e de popularidade presidencial da internet brasileira.

A margem de erro usada na pesquisa CNI/Ibope é de dois pontos percentuais. A rigor, portanto, Dilma está hoje na mesma faixa de aprovação de Lula em 2006 –embora o antecessor numericamente aparecesse à frente em pontos percentuais. Mas no grupo que rejeita o governo, Dilma está de fato pior do que seu padrinho político –ela tem 27% de ruim e péssimo e Lula registrava 22% há 8 anos.

Eis os dados:

CNI-Ibope-Dilma-Lula-FHC

O que essas informações históricas indicam? Em primeiro lugar, que as taxas de aprovação do governo de Dilma Rousseff ainda são suficientes para dar a ela uma vitória na eleição de outubro. Lula (em março de 2006) e Fernando Henrique Cardoso (em março de 1998) partiram de percentuais parecidos e foram reeleitos.

Como se observa, Dilma está muito próxima aos percentuais de Lula-2006 e de FHC-1998 neste mesmo período. É um equívoco considerar o resultado catastrófico para a petista a partir dos números de hoje –ela tem tempo e meios para ensaiar uma recuperação.

Mas o sinal amarelo de fato se acende para Dilma quando se observa a taxa dos que acham sua administração ruim ou péssima. Os 27% da petista se aproximam dos 29% que FHC teve em 2002 –ano em que o PSDB fracassou com a candidatura de José Serra. É com isso que os marqueteiros palacianos têm de se preocupar: como reverter a antipatia crescente dos eleitores em relação à presidente da República.