DEMOCRACIA EM RISCO? MARCHAS DA FAMÍLIA COM DEUS PELA LIBERDADE RESULTAM EM FRACASSO RETUMBANTE

Apesar da forte mobilização virtual através das redes sociais, como o Facebook, Twitter e até um manifesto publicado por engano no jornal Gazeta do Povo (o jornal se desculpou com os leitores pelo engano) as Marchas da Família com Deus pela Liberdade resultarma num fracasso espetacular neste sábado em todos os locais onde pessoas foram às ruas para apoiar o movimento.

Em São Paulo a Marcha da Família com Deus pela Liberdade reuniu um contingente ridículo de cerca de 500 pessoas que foram à região central da capital paulista para pedir uma nova intervenção militar.

Rio de Janeiro-Marcha da Família com Deus pela Liberdade é dispersada pela polícia após confronto de integrantes favoráveis à intervenção militar no país agrediram manifestantes contrários(Fernando Frazão/Agência Brasil)
Marcha  da  Família  com  Deus  pela  Liberdade pede  intervenção militar Fernando Frazão/Agência Brasil (EBC)

 No Rio de Janeiro o fracasso foi retunbante. Apenas cerca de 150 pessoas atenderam ao chamado dos novos golpistas.

No Recife a Marca lembrou a piada que se contava sobre as reuniões comunistas das décadas de 70 e 80, pois o contingentes de manifestantes cabiam em 4 ou 5 Kombis. Apenas 30 pernambucanos foram às ruas.

Mas é ingênuo quem imagina que não existe uma articulação da direita facista contra o Estado Constitucional de Direito. Ela se revela não só na tentativa de reeditar a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, mas em outros itens que são preocupantes porque atuam no sentido de construir uma situação de confronto, por meio de diversas provocações.

De um lado, segmentos mais à esquerda e militantes pelos direitos humanos, até dentro do Ministério Público Federal e da magistratura, advogam a tese de processar e julgar militares que comprovadamente participaram de atos de tortura e de assassinado durante o regime militar (sob o argumento de que crime de seqüestro e de lesa humanidade não são atingidos pela prescrição e que a Lei da Anistia não os perdoou ou se o fez, é inconstitucional), um claro ato de revanchismo que só poderá conduzir ao crescimento de movimentos como o que se tentou colocar em marcha hoje.

Nesse sentido, chama a atenção o depoimento que um coronel aposentado (com 70 anos de idade) prestou à Comissão da Verdade afirmando que o corpo do Deputado Rubens Paiva foi jogado em um rio e que os corpos das vítimas da ditadura eram mutilados para impedir a identificação.

Com que propósito um coronel presta um depoimento desses senão com o de causar comoção, impacto, provocar situações de confronto que só estimulam a radicalização. O depoimento foi uma provocação e a Comissão da Verdade atuou como o inocente útil para dar repercussão a uma voz cuja veracidade é mais que questionável.

É preciso cuidado para que os extremos não atinjam os seus objetivos e, assim, desestabilizem um governo que tem pautas imensas pela frente e que tem que se concentrar nelas, sem cair na cilada da provocação.