NA CÂMARA, GRAÇA FOSTER CORROBORA VERSÕES DE GABRIELE E E CERVERÓ SOBRE PASSADENA

Em audiência na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, a presidente da Petrobras Graça Foster confirmou a versão que havia apresentado aos Senadores e que corrobora as versões apresentadas por Nestor Cerveró e Sérgio Gabriele. Não acrescentou nenhuma novidade e os deputados também não apresentaram argumentos que contraditassem as informações de Graça, tal como já havia acontecido na audiência de Cerveró.

Carolina Gonçalves-Repórter da Agência Brasil Edição: Talita Cavalcante

“A orientação em 1999, confirmada em 2004, era que tínhamos que expandir o refino fora do Brasil”, disse ela, ao citar as compras de outras refinarias na Argentina e BolíviaMarcelo Camargo/Agência Brasil

A presidenta da Petrobras, Graça Foster, disse hoje (30) que a compra da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), foi um negócio “potencialmente bom” até 2008 em função das condições econômicas do período com crescente consumo de derivados e margens de lucro otimistas. Segundo ela, o negócio tem que ser analisado em dois momentos. O segundo seria pós-2008, quando a refinaria passou a ter baixo retorno para a estatal brasileira.

“As margens foram reduzidas porque o mercado caiu, porque não fizemos o revamp da refinaria [investimentos necessários para aumentar o refino da média de 30 a 60 mil barris para 100 mil barris diários] e o mercado compra menos”, explicou.

Segundo a presidenta da Petrobras, que avaliou que a compra da refinaria “não foi um bom negócio”, ao falar com senadores no último dia 15, a decisão da estatal foi tomada a partir de estudos de consultorias contratadas pela estatal que apresentaram ressalvas que não comprometiam o negócio. Segundo ela, a aquisição estava de acordo com os objetivos da Petrobras na época.

“A orientação em 1999, confirmada em 2004, era que tínhamos que expandir o refino fora do Brasil”, disse ela, ao citar as compras de outras refinarias na Argentina e Bolívia. Hoje, a Petrobras mantém três refinarias no exterior, incluindo Pasadena, que somam um refino de 230 mil barris por dia. “A Petrobras produzia mais petróleo pesado. Era um petróleo descontado. Na hora de comercializar tinha que fazer desconto para refinadores. Por isso, foi correta a estratégia de levar esse petróleo para o exterior”, completou.

Pelas contas apresentadas hoje (30), em uma audiência pública conjunta das comissões de Fiscalização Financeira e Controle e de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, Graça Foster disse que a estatal brasileira pagou US$ 554 milhões pela refinaria e US$ 341 milhões pela tradingcom o grupo belga Astra Oil, além de outros US$ 354 milhões que foram gastos com outras aquisições. “A Astra pagou por Pasadena, [em valor] estimado, US$ 360 milhões.”

Segundo ela, o valor pago pelos belgas inclui a aquisição de estoques da refinaria que custaram US$ 104 milhões, além dos pagamentos mensais feitos para elevar a carga de refino, que variava entre 30 a 60 mil barris refinados por dia para 100 mil barris. O dinheiro foi gasto em contratos de serviços e equipamentos. Os números foram levantados por uma Comissão Interna de Apuração da Petrobras deve ser concluído nas primeiras semanas de maio.

A presidenta da estatal lembrou que a Petrobras investiu US$ 685 milhões em Pasadena e que o negócio resultou em baixas nos anos de 2008, 2009 e 2012, totalizando US$ 530 milhões. “[Isso] porque não fizemos o revamp [investimentos necessários para aumentar o refino para 100 mil barris]. O projeto não foi realizado e não captamos a margem. Ainda houve queda de margem do refino e do consumo.”

Graça Foster explicou que as perdas registradas podem ser revertidas, mas isso dependerá de uma reação do mercado, com melhora da margem de refino e aumento de consumo de derivados. Além disto, a Petobras, segundo ela, mantém avaliação constante sobre o retorno de investimentos no exterior ou no mercado interno para decidir o que é mais lucrativo para a empresa (Agência Brasil).

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24.04.14

Petrobras lança Top Site com dez perguntas e respostas para entender a compra de Pasadena. Vale a leitura.

A Petrobras lançou um texto na sua página na Internet onde responde a 10 perguntas sobre a compra de Pasadena que corroboram inteiramente as versões apresentadas no Congresso Nacional pela presidente Graça Foster, por Nestor Ceveró e também os esclarecimentos prestados pelo ex-presidente da Empresa Sérgio Gabrielli à bancada do PT. Vale a leitura.

Dez perguntas e respostas para entender a compra de Pasadena

24.Abr.2014

 

1 – Qual foi o objetivo da compra da refinaria de Pasadena?

O propósito da Petrobras era capturar as altas margens do petróleo processado nos Estados Unidos na época. Como o petróleo proveniente do campo de Marlim era pesado e valia menos, era necessário processá-lo em uma refinaria mais complexa. Assim, após o refino tradicional, seria possível transformar os derivados pesados em produtos mais leves e mais valorizados.

Foi realizado um mapeamento de oportunidades nos Estados Unidos e duas consultorias de renome apontaram efetivas oportunidades de operação no Golfo do México. Essas informações indicavam a viabilidade da compra da refinaria de Pasadena. Logo em seguida, a planta deveria ser modernizada e ampliada para processar o petróleo de Marlim.

2 – Quanto a Petrobras pagou pela refinaria?

Foram desembolsados US$ 554 milhões com a compra de 100% das ações da PRSI-Refinaria e US$ 341 milhões por 100% das quotas da companhia de trading (comercializadora de petróleo e derivados), totalizando US$ 895 milhões.

Adicionalmente, houve o gasto de US$ 354 milhões com juros, empréstimos e garantias, despesas legais e complemento do acordo com a Astra. Desta forma, o total desembolsado com o negócio Pasadena foi de US$ 1,249 bilhão.

3 – Qual foi o preço pago pela Astra pela refinaria?

A Comissão de Apuração Interna, instaurada em março pela companhia, apurou que a Astra não desembolsou apenas US$ 42,5 milhões pela compra da refinaria. Este suposto valor, a propósito, nunca foi apresentado pela Petrobras.

Até o momento, análises da Petrobras indicam que a Astra desembolsou pelo conjunto de Pasadena aproximadamente US$ 360 milhões. Deste valor, US$ 248 milhões foram pagos à proprietária anterior (Crown) e US$ 112 milhões correspondem a investimentos realizados antes da venda à Petrobras.

Cabe destacar que a operação não envolvia apenas a compra da refinaria, mas sim um negócio bem mais amplo e diversificado. A unidade industrial de refino era parte menor de um complexo empreendimento que envolvia, também, um grande parque de armazenamento, estoques nos tanques, contratos de comercialização com clientes e contratos com a infraestrutura de acessos e escoamento. Envolvia, ainda, conhecimentos sobre o mercado e demais competências para operar no mercado norte-americano, em uma das zonas mais atrativas dos Estados Unidos.

4 – Afinal, a compra foi um bom ou um mau negócio?

Na época da compra, o negócio era muito vantajoso para a Petrobras, considerando as altas margens de refino vigentes e a oportunidade de processar o petróleo pesado do campo de Marlim no exterior e transformá-lo em derivados (produtos de maior valor agregado) para venda no mercado americano.

Posteriormente, houve diversas alterações no cenário econômico e do mercado de petróleo, tanto brasileiro quanto mundial. A crise econômica de 2008 levou à redução do consumo de derivados e, consequentemente, à queda das margens de refino. Além disso, houve a descoberta do pré-sal, anunciada em 2007. Assim, o negócio originalmente concebido transformou-se em um empreendimento de baixo retorno sobre o capital investido.

5 – Como a compra da refinaria foi aprovada?

O Conselho de Administração da Petrobras aprovou em 2006 a compra de 50% de participação em Pasadena, pelo valor de US$ 359 milhões. A operação estava alinhada ao planejamento estratégico vigente, que determinava a expansão internacional da Petrobras, contribuindo para o aumento da comercialização de petróleo e derivados produzidos pela companhia.

6 – As cláusulas “Put Option” e “Marlim” estavam no resumo executivo?

O resumo executivo originado pelo Diretor da Área Internacional e apresentado ao Conselho de Administração sobre a compra da refinaria de Pasadena não citava as cláusulas de “Marlim” e “Put Option”, nem suas condições e preço de exercício.

7 – Por que a Petrobras comprou os outros 50% da refinaria?

A partir de 2007, houve desentendimentos entre a Petrobras e a Astra em relação à gestão e ao projeto de expansão da refinaria. Em dezembro daquele ano, a Astra enviou à Diretoria Internacional da Petrobras uma carta de intenções para a venda dos outros 50%. Em março de 2008, a Diretoria da Petrobras apreciou e submeteu a proposta de compra ao Conselho de Administração, que não a autorizou. A Astra exerceu sua opção de venda (“Put Option”) e a Petrobras assumiu o controle da integralidade da refinaria ainda em 2008, após disputa judicial. Em 2012, tomando por base laudo arbitral confirmado judicialmente, houve uma negociação final entre as partes, considerada completa e definitiva.

8 – Qual foi a razão do desentendimento entre Astra e Petrobras?

A Astra não concordou em fazer investimentos na ampliação e modernização do parque de refino. A intenção era ampliar a capacidade de Pasadena para 200 mil barris por dia, que era a solução desejada pela Petrobras e que se mostrava mais interessante para processar o petróleo de Marlim.

9 – Qual é a situação atual da refinaria?

A refinaria, que tem capacidade de refino de 100 mil barris por dia, está em plena atividade, opera com segurança e vem dando resultado positivo este ano. A unidade tem localização privilegiada, num dos principais centros de petróleo e derivados dos Estados Unidos. Opera com petróleo leve, disponível nos Estados Unidos a partir do crescimento da produção local de óleo não-convencional (tight oil).

A Petrobras já recebeu propostas pela compra de Pasadena, mas decidiu manter a refinaria fora do pacote de desinvestimentos até que sejam concluídas as investigações em curso. Só então decidirá o que fazer, considerando as condições do mercado.

10 – Como o caso está sendo apurado na Petrobras?

No dia 24 de março, foi instaurada uma Comissão Interna de Apuração na Petrobras sobre a aquisição da refinaria de Pasadena para esclarecer todas as questões que vêm sendo discutidas na sociedade. Além disso, a companhia é fiscalizada e colabora com os órgãos de controle como o TCU, a CGU e o Ministério Público. Desde novembro de 2012, foram respondidas 16 solicitações do TCU e cinco da CGU sobre Pasadena.

23.04.14

DE CONVIDADO EM CONVIDADO, CPI DA PETROBRAS TENDE AO ESVAZIAMENTO

De convidado em convidado a CPI da Petrobras tende ao esvaziamento.

Sob o pretexto de que existem contradições entre as versões da Presidenta Dilma, Graça Foster, Gabrielli e Cerveró (que, na verdade, inexistem, veja o texto abaixo), os deputados agora querem ouvir o ex-Presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, e a atual Presidente da empresa, Graça Foster.

Graça Foster já prestou esclarecimentos no Senado e suas opiniões e informações sobre a compra de Pasadena coincidem com as informações prestadas por Cerveró à Câmara e com a que Gabrielli prestou para a bancada do PT no Congresso.

A insistência nesses esclarecimentos coincide com o adiamento da definição sobre a instalação da CPI e induz crer que a tendência será de esvaziamento da CPI na medida em que o Congresso já disponha de todas as informações sobre o episódio e daí em diante o aprofundamento das investigações estará à cargo da Polícia Federal, Ministério Público e Tribunal de Contas.

O estranho é a oposição, que já se mostrou despreparada no depoimento de Cerveró na Câmara, topar o jogo.

O ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli vai ser novamente convidado para explicar a parlamentares o que motivou a compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. O convite a Gabrielli estava na pauta de três comissões permanentes da Casa. O que os deputados pretendem, segundo as declarações feitas hoje, é obter mais detalhes sobre o negócio já que o ex-dirigente fez novas declarações que foram publicadas em reportagens veiculadas no fim de semana. Gabrielli disse, por exemplo, que a presidenta Dilma Rousseff deveria arcar com suas responsabilidades no negócio.

O primeiro pedido de convite aprovado hoje (23) foi na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, que ouvirá Gabrielli em uma audiência conjunta com a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) da Câmara. Os deputados da CFFC que também decidiram enviar o convite, ainda vão ouvir, no próximo dia 30, a atual presidenta da Petrobras, Graça Foster, que oficializou sua presença.

“Dilma disse que votaria contra a refinaria mas votou com base em resumo executivo [elaborado pelo ex-diretor da Área Internacional da estatal, Nestor Cerveró] que não tinha as duas cláusulas [Marlin e PutOption]. Gabrielli diz que cada um tem que assumir sua responsabilidade. Temos que esclarecer esses fatos”, defendeu  Vanderlei Macris (PSDB-SP).

Gabrielli também vai receber uma carta da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) que aprovou, por 18 votos a dois, um requerimento de convite a Gabrielli e o ex-diretor da Área Internacional da empresa, Nestor Cerveró. Cerveró é apontado como o responsável pelo resumo executivo que embasou a decisão sobre a compra da refinaria.

A CRE ainda pode analisar hoje (23) o pedido para convocação do ministro Guido Mantega (Fazenda) e de Luís Inácio Lucena Adams, advogado-Geral da União, para que expliquem seus envolvimentos na confecção de ata de reunião do Conselho de Administração da Petrobras sobre a aquisição de Pasadena.

Além da Petobras, partidos de oposição conseguiram aprovar hoje a convocação pela CFFC do ministro da Secretaria da Aviação Civil, Wellington Moreira Franco, para explicar os problemas enfrentados pela população e pelo setor em função das obras dos aeroportos, o remanejamento dos voos para o período da Copa do Mundo e o cronograma atualizado das obras em andamento (Agência Brasil).

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Não há contradição entre Dilma, Graça Foster, Gabrielli, Cerveró, Fábio Barbosa, Claudio Haddad e Jorge Gerdau

Não existe contradição nas versões de Dilma, Graça Foster, Gabrielli, Cerveró, Fábio Barbosa, Claudio Haddad e Jorge Gerdau sobre compra de Pasadena.

Dilma disse que não conhecia as cláusulas Put Option e Marlim. Cerveró, Gabriell, Fábio Barbosa, Claudio Haddad e Jorge Gerdau confirmam essa versão.

Dilma e Foster dizem que hoje Pasadena não é um bom negócio. Cerveró, Gabriell, Fábio Barbosa, Claudio Haddad e Jorge Gerdau confirmam essa versão.

Cerveró e Gabrielli dizem que na ocasião o negócio estava alinhado ao planejamento estratégico da empresa e por isso o Conselho aprovou. Fábio Barbosa, Claudio Haddad e Jorge Gerdau confirmam essa versão.

O site de VEJA ouviu Fábio Barbosa, presidente da Editora Abril, que integrava o Conselho de Administração da Petrobras quando a compra da refinaria no Texas foi aprovada por unanimidade. Disse Barbosa: “A proposta de compra de Pasadena submetida ao Conselho em fevereiro de 2006, da qual eu fazia parte, estava inteiramente alinhada com o plano estratégico vigente para a empresa, e o valor da operação estava dentro dos parâmetros do mercado, conforme atestou então um grande banco americano, contratado para esse fim. A operação foi aprovada naquela reunião nos termos do relatório executivo apresentado.”

O ex-conselheiro Claudio Luiz Haddad, economista e empresário, que a diretoria da estatal fez apresentação consistente do negócio e recomendou sua aprovação. Haddad também lembrou que as negociações foram assessoradas pelo Citibank, que deu aval às condições de compra da refinaria. “O Citibank apresentou um ‘fairness opinion’ (recomendação de uma instituição financeira) que comparava preços e mostrava que o investimento fazia sentido, além de estar em consonância com os objetivos estratégicos da Petrobras dadas as condições de mercado da época”, disse.

Por meio de nota, o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, do grupo Gerdau, que ainda mantém cadeira no Conselho de Administração da Petrobras, afirmou que o negócio foi decidido com base em “avaliações técnicas de consultorias com reconhecida experiência internacional, cujos pareceres apontavam para a validade e a oportunidade do negócio.”

A mesma nota assevera que, ao aprovar em 2006 a operação de compra e 50% de participação na refinaria Pasadena, Gerdau  “não tinha conhecimento, como os demais conselheiros, das cláusulas Put Option e Marlim do contrato”.

A ida de Gabrielli e dos conselheiros citados ao Congresso, como parece desejar parte da oposição, seria medida interessante e que poderia sanear dúvidas a respeito do tema.

Parece não existir contradição nas versões, embora algumas mídias insistam que elas existam. Qual é a contradição?

 

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20.04.2014

MANCHETES DE ESTADÃO E UOL DIVERGEM DO CONTEÚDO DA ENTREVISTA DE GABRIELLI SOBRE DILMA E FOSTER

O ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli falou ao Estadão e esclareceu, novamente, tal como o fez quando esteve em reunião com a bancada do PT no Congresso, que não há divergência entre ele e a atual Presidente da empresa, Graça Foster, e nem com a Presidente Dilma nos dois pontos que os opositores do governo estão procurando explorar.

Dilma disse que o relatório apresentado ao Conselho, em 2005, para a compra da refinaria de Pasadena era “falho” na medida em que não informava duas cláusulas que, para ela, eram determinantes, pois não teria aprovado a compra se tivesse conhecido as cláusulas antes da compra.

Grabrielli diz que de fato o relatório era omisso porque não mencionava as cláusulas (portanto, uma diferença de semântica jurídica entre “falho” e “omisso”). Ou seja, ambos concordam que o relatório não mencionava as cláusulas.

Gabrielli afirmou na entrevista ao Estadão que ele tem as suas responsabilidades como Presidente da empresa na ocasião e que Dilma também as tem como presidente do Conselho naquela época, como, obviamente, sob o ponto de vista jurídico, toda a Diretoria e todo o Conselho tem suas responsabilidades. Uma obviedade.

Em relação a Graça Foster, Gabrielli esclarece também que não há diferença. Ambos afirmaram que o projeto era bom em 2005 e que as expectativas não se concretizaram, de tal modo que ambos reconhecem que hoje o negócio não é bom e, portanto, na atual conjuntura, não seria feito.

No entanto, a manchete de chamada no Estadão procura induzir que há uma divergência entre as versões de Dilma e Gabrelli, Graça Foster e Gabrielli.

A mesma entrevista é reproduzida no UOL com o mesmo truque, como se existisse, de fato, divergência entre o que Dilma e Foster falaram e o que fala Gabrielli.

O teor real da entrevista não está retratado nas manchetes.

A simples leitura das matérias revelam esse interessante aspecto. Vale a leitura.

Estadão

Ex-presidente da Petrobrás diz ser ‘responsável’ pela compra de Pasadena, mas divide ônus com a petista

‘Dilma não pode fugir à responsabilidade’, diz ex-presidente da Petrobrás

Para Gabrielli, Dilma não pode fugir à responsabilidade dela sobre refinaria

Para Gabrielli, presidente tem de assumir sua parcela de ônus no caso Pasadena

20 de abril de 2014Ricardo Galhardo, enviado especial – O Estado de S. Paulo

SALVADOR – Presidente da Petrobrás à época da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, em 2006, José Sergio Gabrielli admitiu em entrevista ao Estado sua parcela de responsabilidade no polêmico negócio, mas dividiu o ônus com a presidente Dilma Rousseff.

Gabrielli defende a compra da refinaria em Pasadena conforme as circunstâncias da época - Ulisses Dumas / AG BAPRESS
Ulisses Dumas / AG BAPRESS
Gabrielli defende a compra da refinaria em Pasadena conforme as circunstâncias da época
SEGUNDO ELE, O RELATÓRIO ENTREGUE AO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA ESTATAL FOI “OMISSO” AO ESCONDER DUAS CLÁUSULAS QUE CONSTAVAM DO CONTRATO, MAS DILMA, QUE ERA MINISTRA DA CASA CIVIL E PRESIDIA O CONSELHO, “NÃO PODE FUGIR DA RESPONSABILIDADE DELA”.

Gabrielli defende a compra da refinaria conforme as circunstâncias da época e alfineta sua sucessora, Graça Foster, ao afirmar que a Petrobrás não foi construída nos dois anos de gestão da atual presidente da estatal. De acordo com ele, a queda do preço das ações da estatal não se deve a Pasadena, mas à conjuntura externa, afetada pela crise financeira global de 2008, e à política do governo de manutenção artificial dos preços da gasolina no Brasil abaixo do mercado internacional. Política que, segundo Gabrielli, está contaminada pela disputa eleitoral.

O senhor se considera responsável pelo relatório entregue ao conselho administrativo da Petrobrás antes da compra da refinaria de Pasadena?
José Sergio Gabrielli – Eu sou responsável. Eu era o presidente da empresa. Não posso fugir da minha responsabilidade, do mesmo jeito que a presidente Dilma não pode fugir da responsabilidade dela, que era presidente do conselho. Nós somos responsáveis pelas nossas decisões. Mas é legítimo que ela tenha dúvidas.

O relatório é falho e omisso como disse a presidente Dilma?
José Sergio Gabrielli –
 Acho que não (foi falho). Ele foi omisso. Sem dúvida nenhuma foi omisso porque as duas cláusulas mencionadas (Put Option, que obrigou a Petrobrás a comprar a outra metade da refinaria, e Marlim, que compensaria a então sócia Astra por possíveis prejuízos) não constavam da apresentação feita aos conselheiros.

O conselho teve acesso à totalidade dos documentos antes de aprovar a compra da refinaria?
José Sergio Gabrielli –
 Não teve acesso a essas cláusulas. Mas isso não é relevante, a meu ver, para a decisão do conselho. O que é relevante é se o projeto é aderente tecnologicamente e estrategicamente ao que você faz e ter dado rentabilidade com os pressupostos daquele momento. Essas três condições fariam a decisão do negócio.

Se o Conselho de Administração da estatal soubesse dessas cláusulas no primeiro momento teria aprovado a compra da refinaria?
José Sergio Gabrielli – Eu acho que teria aprovado porque o objetivo naquele primeiro momento era a possibilidade de ter um negócio nos Estados Unidos em uma refinaria que tinha preços adequados ao mercado. E poderia ser uma entrada forte nossa nos Estados Unidos, o mercado que mais crescia no mundo na época. Continuo achando que foi um bom negócio para a conjuntura de 2006, um mau negócio para a conjuntura de 2008 a 2011 e voltou a ser bom em 2013 e 2014.

O que mudou na Petrobrás de Lula para Dilma?
José Sergio Gabrielli – Não acho que houve mudança. É bom lembrar que saí em fevereiro de 2012 e o acordo de Pasadena é de junho de 2012. Enquanto estive lá, a partir de 2008, só fiz disputar judicialmente com a Astra. Não fiz nenhum acordo com a Astra.

Então a mudança foi de Gabrielli para Graça Foster?
José Sergio Gabrielli – Eu não disse isso. A gestão da presidente Graça deu continuidade aos planos estratégicos desenvolvidos pela diretoria anterior. Não vejo ruptura entre mim e Graça. É uma presidência de continuidade.

Pelo menos em um ponto importante vocês divergem. Graça diz que a compra de Pasadena foi um negócio ruim e o senhor diz que foi bom.
José Sergio Gabrielli – Nós não divergimos. Graça disse de forma explícita que hoje ela não faria o negócio mas que na época foi um bom negócio. Portanto nós não temos divergência. Na época eu faria a mesma coisa. O negócio depois ficou ruim e hoje está melhor outra vez.

Existe uma tentativa de responsabilizar a sua gestão por um negócio que não deu o resultado esperado?
José Sergio Gabrielli – Cheguei na Petrobrás e a empresa valia US$ 15 bilhões. Comigo a Petrobrás foi a US$ 350 bilhões e quando eu saí ela estava valendo US$ 180 bilhões. Essa é a realidade no mercado. A empresa vinha num processo de esvaziamento, de quebra da unidade operacional, sendo fatiada. Havia várias iniciativas para vender as refinarias em pedaços. Saímos da situação de uma empresa acuada na área de gás e energia para nos transformarmos no principal ator produzindo hoje um volume superior talvez à energia de Itaipu. Isso não se fez nos últimos dois anos.

As dúvidas sobre negócio de Pasadena são uma mácula à sua gestão?
José Sergio Gabrielli – Não posso aceitar isso. Posso falar da minha gestão em termos de resultados. Posso falar de uma empresa que saiu de ter duas sondas de perfuração para ter 69, que saiu de 33 mil pessoas trabalhando para 85 mil, que foi nesse período que se descobriu o pré-sal e se atingiu a autossuficiência. Na minha gestão a companhia teve os maiores lucros da história e realizou a maior capitalização da história do mundo em termos de venda de ações no mercado. Não posso dizer que foi uma gestão equivocada. Desafio quem quiser discutir sem xingamento a dizer que foi uma má gestão.

Qual sua opinião sobre a declaração da presidente Dilma de que estariam tentando atingir a Petrobrás?
José Sergio Gabrielli – A oposição faz uma campanha irresponsável contra a Petrobrás. A Petrobrás é um patrimônio nacional extremamente bem gerido, com uma competência instalada extraordinária. O ataque só pode ser entendido por interesses eleitoreiros combinados com alguns interesses muito mais complicados.

Quais?
José Sergio Gabrielli – Interesses na área financeira de redução dos valores da Petrobrás para poder viabilizar operações no mercado de ações e ameaçar o papel histórico da empresa de desenvolver o pré-sal brasileiro. Quando nós mudamos o marco regulatório do pré-sal em 2010 com a introdução da partilha de produção que altera as formas de apropriar o futuro e com isso vai viabilizar mais recursos para a educação brasileira, isso teve uma oposição muito grande. É quem hoje está atacando a Petrobrás. Quem hoje ataca a Petrobrás também ataca o modelo da partilha e o conceito de que a companhia deve ser a operadora do pré-sal.

Como o senhor explica a grande desvalorização da empresa apesar da descoberta do pré-sal?
José Sergio Gabrielli – Em dezembro de 2002 uma ação da Petrobrás em Nova York custava US$ 3,67. No dia 1.º de agosto de 2008 chegou a US$ 55,31 e hoje está a US$ 13,50. Esse período pós 2008 deve ser explicado por dois fenômenos. Primeiro, pela crise financeira mundial que reduziu a demanda de petróleo dos EUA. Segundo, pela queda do preço de petróleo e do mercado de ações. No Brasil tem um componente importante que está penalizando as ações da Petrobrás que é o ajuste dos preços da gasolina e diesel no mercado nacional abaixo dos preços praticados no exterior.

O preço da gasolina no Brasil deve aumentar?
José Sergio Gabrielli – Deve aumentar. Não precisa ser instantaneamente mas tem que haver um aumento gradual para permitir uma mínima aproximação do preço doméstico com o preço internacional. Não há como a Petrobrás manter permanentemente uma diferença entre o preço doméstico e o internacional. Tem que ter um processo de convergência e no dia que acontecer isso as ações da Petrobrás voltam a crescer.

A política sobre os preços da gasolina também está contaminada pelo debate eleitoral?
José Sergio Gabrielli – Claro. Acaba sendo afetada, influenciada.

Houve US$ 530 milhões de baixas contábeis da Petrobrás por causa de Pasadena. Existe possibilidade de a companhia recuperar esses valores?
José Sergio Gabrielli – Não sei os números de hoje, mas a presidente Graça diz que o lucro é de US$ 58 milhões em janeiro e fevereiro de 2014. Se multiplicar US$ 58 milhões em 10 meses ela recupera os US$ 530 milhões. É uma conta linear.

Existe algum conflito ético na indicação do seu primo José Orlando para o cargo de presidente da Petrobrás América?
José Sergio Gabrielli – O Zé Orlando entrou na Petrobrás em 1978. Quando cheguei, em 2003, era conhecido como primo de Zé Orlando. Não ele (conhecido como) meu primo. Quando a indicação para presidência da Petrobrás América chegou, eu tinha as seguintes opções: veto porque é meu primo ou aceito porque é a pessoa mais correta. Aí resolvi comunicar à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) porque não é justo vetá-lo por ser meu primo. Enquanto ele esteve lá nós só fizemos disputa judicial. Não teve nenhum pagamento à Astra.

 

UOL

Ex-presidente da Petrobras Gabrielli cobra Dilma sobre refinaria e cita oportunismo da oposição

Presidente da Petrobrás à época da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, em 2006, José Sergio Gabrielli admitiu em entrevista ao Estado sua parcela de responsabilidade no polêmico negócio, mas dividiu o ônus com a presidente Dilma Rousseff.

Segundo ele, o relatório entregue ao Conselho de Administração da estatal foi “omisso” ao esconder duas cláusulas que constavam do contrato, mas Dilma, que era ministra da Casa Civil e presidia o conselho, “não pode fugir da responsabilidade dela”.

Gabrielli defende a compra da refinaria conforme as circunstâncias da época e alfineta sua sucessora, Graça Foster, ao afirmar que a Petrobrás não foi construída nos dois anos de gestão da atual presidente da estatal. De acordo com ele, a queda do preço das ações da estatal não se deve a Pasadena, mas à conjuntura externa, afetada pela crise financeira global de 2008, e à política do governo de manutenção artificial dos preços da gasolina no Brasil abaixo do mercado internacional. Política que, segundo Gabrielli, está contaminada pela disputa eleitoral.

O senhor se considera responsável pelo relatório entregue ao conselho administrativo da Petrobrás antes da compra da refinaria de Pasadena?

Eu sou responsável. Eu era o presidente da empresa. Não posso fugir da minha responsabilidade, do mesmo jeito que a presidente Dilma não pode fugir da responsabilidade dela, que era presidente do conselho. Nós somos responsáveis pelas nossas decisões. Mas é legítimo que ela tenha dúvidas.

O relatório é falho e omisso como disse a presidente Dilma?

Acho que não (foi falho). Ele foi omisso. Sem dúvida nenhuma foi omisso porque as duas cláusulas mencionadas (Put Option, que obrigou a Petrobrás a comprar a outra metade da refinaria, e Marlim, que compensaria a então sócia Astra por possíveis prejuízos) não constavam da apresentação feita aos conselheiros.

O conselho teve acesso à totalidade dos documentos antes de aprovar a compra da refinaria?

Não teve acesso a essas cláusulas. Mas isso não é relevante, a meu ver, para a decisão do conselho. O que é relevante é se o projeto é aderente tecnologicamente e estrategicamente ao que você faz e ter dado rentabilidade com os pressupostos daquele momento. Essas três condições fariam a decisão do negócio.

Se o Conselho de Administração da estatal soubesse dessas cláusulas no primeiro momento teria aprovado a compra da refinaria?

Eu acho que teria aprovado porque o objetivo naquele primeiro momento era a possibilidade de ter um negócio nos Estados Unidos em uma refinaria que tinha preços adequados ao mercado. E poderia ser uma entrada forte nossa nos Estados Unidos, o mercado que mais crescia no mundo na época. Continuo achando que foi um bom negócio para a conjuntura de 2006, um mau negócio para a conjuntura de 2008 a 2011 e voltou a ser bom em 2013 e 2014.

O que mudou na Petrobrás de Lula para Dilma?

Não acho que houve mudança. É bom lembrar que saí em fevereiro de 2012 e o acordo de Pasadena é de junho de 2012. Enquanto estive lá, a partir de 2008, só fiz disputar judicialmente com a Astra. Não fiz nenhum acordo com a Astra.

Então a mudança foi de Gabrielli para Graça Foster?

Eu não disse isso. A gestão da presidente Graça deu continuidade aos planos estratégicos desenvolvidos pela diretoria anterior. Não vejo ruptura entre mim e Graça. É uma presidência de continuidade.

Pelo menos em um ponto importante vocês divergem. Graça diz que a compra de Pasadena foi um negócio ruim e o senhor diz que foi bom.

Nós não divergimos. Graça disse de forma explícita que hoje ela não faria o negócio mas que na época foi um bom negócio. Portanto nós não temos divergência. Na época eu faria a mesma coisa. O negócio depois ficou ruim e hoje está melhor outra vez.

Existe uma tentativa de responsabilizar a sua gestão por um negócio que não deu o resultado esperado?

Cheguei na Petrobrás e a empresa valia US$ 15 bilhões. Comigo a Petrobrás foi a US$ 350 bilhões e quando eu saí ela estava valendo US$ 180 bilhões. Essa é a realidade no mercado. A empresa vinha num processo de esvaziamento, de quebra da unidade operacional, sendo fatiada. Havia várias iniciativas para vender as refinarias em pedaços. Saímos da situação de uma empresa acuada na área de gás e energia para nos transformarmos no principal ator produzindo hoje um volume superior talvez à energia de Itaipu. Isso não se fez nos últimos dois anos.

As dúvidas sobre negócio de Pasadena são uma mácula à sua gestão?

Não posso aceitar isso. Posso falar da minha gestão em termos de resultados. Posso falar de uma empresa que saiu de ter duas sondas de perfuração para ter 69, que saiu de 33 mil pessoas trabalhando para 85 mil, que foi nesse período que se descobriu o pré-sal e se atingiu a autossuficiência. Na minha gestão a companhia teve os maiores lucros da história e realizou a maior capitalização da história do mundo em termos de venda de ações no mercado. Não posso dizer que foi uma gestão equivocada. Desafio quem quiser discutir sem xingamento a dizer que foi uma má gestão.

Qual sua opinião sobre a declaração da presidente Dilma de que estariam tentando atingir a Petrobrás?

A oposição faz uma campanha irresponsável contra a Petrobrás. A Petrobrás é um patrimônio nacional extremamente bem gerido, com uma competência instalada extraordinária. O ataque só pode ser entendido por interesses eleitoreiros combinados com alguns interesses muito mais complicados.

Quais?

Interesses na área financeira de redução dos valores da Petrobrás para poder viabilizar operações no mercado de ações e ameaçar o papel histórico da empresa de desenvolver o pré-sal brasileiro. Quando nós mudamos o marco regulatório do pré-sal em 2010 com a introdução da partilha de produção que altera as formas de apropriar o futuro e com isso vai viabilizar mais recursos para a educação brasileira, isso teve uma oposição muito grande. É quem hoje está atacando a Petrobrás. Quem hoje ataca a Petrobrás também ataca o modelo da partilha e o conceito de que a companhia deve ser a operadora do pré-sal.

Como o senhor explica a grande desvalorização da empresa apesar da descoberta do pré-sal?

Em dezembro de 2002 uma ação da Petrobrás em Nova York custava US$ 3,67. No dia 1.º de agosto de 2008 chegou a US$ 55,31 e hoje está a US$ 13,50. Esse período pós 2008 deve ser explicado por dois fenômenos. Primeiro, pela crise financeira mundial que reduziu a demanda de petróleo dos EUA. Segundo, pela queda do preço de petróleo e do mercado de ações. No Brasil tem um componente importante que está penalizando as ações da Petrobrás que é o ajuste dos preços da gasolina e diesel no mercado nacional abaixo dos preços praticados no exterior.

O preço da gasolina no Brasil deve aumentar?

Deve aumentar. Não precisa ser instantaneamente mas tem que haver um aumento gradual para permitir uma mínima aproximação do preço doméstico com o preço internacional. Não há como a Petrobrás manter permanentemente uma diferença entre o preço doméstico e o internacional. Tem que ter um processo de convergência e no dia que acontecer isso as ações da Petrobrás voltam a crescer.

A política sobre os preços da gasolina também está contaminada pelo debate eleitoral?

Claro. Acaba sendo afetada, influenciada.

Houve US$ 530 milhões de baixas contábeis da Petrobrás por causa de Pasadena. Existe possibilidade de a companhia recuperar esses valores?

Não sei os números de hoje, mas a presidente Graça diz que o lucro é de US$ 58 milhões em janeiro e fevereiro de 2014. Se multiplicar US$ 58 milhões em 10 meses ela recupera os US$ 530 milhões. É uma conta linear.

Existe algum conflito ético na indicação do seu primo José Orlando para o cargo de presidente da Petrobrás América?

O Zé Orlando entrou na Petrobrás em 1978. Quando cheguei, em 2003, era conhecido como primo de Zé Orlando. Não ele (conhecido como) meu primo. Quando a indicação para presidência da Petrobrás América chegou, eu tinha as seguintes opções: veto porque é meu primo ou aceito porque é a pessoa mais correta. Aí resolvi comunicar à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) porque não é justo vetá-lo por ser meu primo. Enquanto ele esteve lá nós só fizemos disputa judicial. Não teve nenhum pagamento à Astra. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.