GRAÇA FOSTER ESCLARECE NÚMEROS E DIZ QUE PASADENA FOI UM MAL NEGÓCIO

A presidenta da Petrobras, Graça Foster, reconheceu nesta terça-feira (15) que a compra pela estatal brasileira da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), foi um bom projeto no início, mas que se transformou em um projeto de baixa possibilidade de retorno. “Hoje, olhando aqueles dados, não foi um bom negócio, não pode ser um bom negócio. Isso é inquestionável do ponto de vista contábil.”

EBC

 

Graça esclareceu questões relacionadas à compra da Refinaria de Pasadena da empresa belga Astra, em 2004, que até então estavam sendo veiculadas de modo truncado.

A executiva garantia que o investimento total feito pela empresa Astra para comprar a Refinaria da Crown foi de US$ 360 milhões, antes de vende-la para a Petrobras.

Assim, para Graça, a informação de que a Astra comprou Pasadena por apenas US$ 42 milhões, que é o valor veiculado até agora, não é verdadeira.

Graça esclareceu que o verdadeiro valor de US$ 360 milhões inclui US$ 104 milhões em compra de estoques, US$ 80 milhões em serviços de refino (tolling), pagos mensalmente, US$ 42,5 milhões e US$ 22 milhões em compra dos ativos de refino e US$ 112 milhões em investimentos feitos pela Astra.

Assim, a transação negociada em 2004 entre Astra e Crown englobava diversas operações, através de dois principais contratos (Processing Agreement e Refinery Purchase and Sale Agreement), com parcelas distintas de pagamento pela Astra.

Ao término do contrato de serviços de refino prestados pela Crown à Astra, havia uma opção de compra dos ativos da refinaria, opção esta que foi exercida pela Astra em janeiro de 2005, quando efetivamente adquiriu Pasadena.

Após a compra, a Astra obteve recursos no mercado para investimentos e capital de giro. Esta dívida, em setembro de 2006, quando a Petrobras comprou 50% da refinaria e da trading a ser constituída, era de US$ 180 milhões, conforme um balanço auditado pela PricewaterhouseCoopers.

Graça afirmou que “Apuramos, até o momento, que a transação entre Astra e Crown foi muito superior a US$ 42,5 milhões”, informando que um balanço final e detalhado sobre as transações deverá ser concluído em 30 dias.

Nas contas apresentadas hoje por Graça, a Petrobras desembolsou um total de US$ 554 milhões para aquisição da refinaria. Outros US$ 341 milhões foram usados para a compra da trading. Finalmente, houve um custo extra de US$ 354 milhões com os “demais gastos com aquisição”. Esses custos extras foram “consequência dos riscos assumidos pela Petrobras no contrato de aquisição da refinaria e da trading, principalmente na cláusula de Put Option, em contrapartida do direito que a Petrobras tinha de impor investimentos de ampliação da refinaria”. Além disso, pesaram os juros, empréstimos e garantias, despesas legais e complemento do acordo com Astra.

A audiência com Graça Foster durou mais de seis horas e respondeu hoje aos questionamentos dos parlamentares e admitiu que em fevereiro de 2006 houve falhas por parte da direção da área internacional da empresa, ao apresentar o projeto ao Conselho de Administração da estatal, que autorizou a compra de 50% da refinaria. “Em nenhum momento no resumo executivo, na apresentação de PowerPoint feita pela direção da área internacional à época foram citadas duas condições muito importantes: não se falou da Cláusula de Put Option no resumo executivo, nem na apresentação de PowerPoint e também não se falou da Cláusula de Marlim”.

Para Graça Foster, o Conselho de Administração da Petrobras aprovou a compra de 50% de uma refinaria e não houve, nesses dois documentos, nenhuma citação à intenção e à obrigatoriedade de compra dos 50% remanescentes. “Esse foi o trabalho feito. Um resumo executivo, sem citação dessas duas cláusulas contratuais completamente importantes. O valor autorizado pelo Conselho de Administração foi US$ 359.285.714,30. Essa foi tão somente a aprovação feita (…) Além disso, é obrigação de quem leva para a diretoria apontar os pontos fracos e frágeis da operação. Não há operação 100% segura. Não existe isso, imagino, em nenhuma atividade comercial e, certamente, não existe na indústria de petróleo e gás”.

Os esclarecimentos de Graça coincidem com os esclarecimentos que o ex-presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, prestou à bancada do PT, em reunião fechada na Câmara, na semana passada.

De acordo com Gabrielli, a empresa belga Astra não pagou apenas US$ 42 milhões pela refinaria, já que teria assumido US$ 200 milhões em dívidas durante a transação, elevando o valor a mais de US$ 242 milhões.

O ex-presidente da petroleira ainda afirmou que a compra não saiu por quase US$ 1,2 bilhão e sim por US$ 486 milhões.

Para ele, originalmente sim, mas é um sofisma, já que as cláusulas do contrato e a batalha judicial que se seguiu acabaram elevando o custo da unidade para quase US$ 1,2 bilhão.