NORTE E NORDESTE: POLÍTICAS SOCIAIS E DESCENTRALIZAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO MELHORAM O CONSUMO

O IPC Marketing divulgou resultado de um levantamento que denuncia de modo interessante os efeitos das políticas sociais que o Estado brasileiro (União, Estados e Municípios) vem colocando em curso nos últimos anos e como forma de concretizar os objetivos estampados no artigo terceiro da Constituição Federal, de reduzir a miséria, a discriminação e as desigualdades regionais. Vale a leitura.

Dom , 27/04/2014

Sudeste ficará abaixo de 50% do consumo brasileiro

Luiz Guilherme Gerbelli | Agência Estado

A geografia do consumo brasileiro vai mudar neste ano. Pela primeira vez, a fatia da Região Sudeste no potencial de consumo do País ficará abaixo de 50%. Um estudo feito pela consultoria IPC Marketing mostra que São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo responderão por 49,21% de tudo o que será consumido no País este ano.

A perda de participação do Sudeste tem sido lenta, mas contínua ao longo dos anos. Em 2013, o peso da região foi de 50,53%. Há dez anos, ela representava 55,79%. A estimativa da IPC Marketing é de que o consumo atinja R$ 3,262 trilhões neste ano, acima do verificado em 2012 (R$ 3,011 trilhões).

A menor participação do Sudeste pode ser explicada pela melhora econômica das demais regiões brasileiras. A fatia do Nordeste no consumo será recorde em 2014 e vai chegar a 19,48%. Haverá ainda um forte crescimento do Norte, cuja participação também será a maior da história (6,04%).

“Em 2008, o Nordeste atingiu o segundo lugar no ranking do potencial de consumo e a diferença para a Região Sul vem aumentando nos últimos anos”, afirma Marcos Pazzini, diretor da IPC Marketing.

As economias do Norte e principalmente as do Nordeste foram impulsionadas nos dois últimos anos por dois grandes fatores: programas de transferência de renda e política de reajuste real do salário mínimo.

No caso da economia nordestina, quase 20% da origem da renda familiar vem do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) – boa parte do pagamento é atrelada ao salário mínimo. O Bolsa Família representa 3%. O restante é dividido entre trabalho (71,9%) e outras fontes (5,4%), como aluguel.

“Há dez anos, não existia uma classe média, principalmente no Nordeste. Quando o governo fez chegar dinheiro no bolso da população de mais baixa renda, ele fez com que essa parte da população tivesse uma condição melhor de vida e obviamente de consumo”, afirma Pazzini.

Ciclo virtuoso

As duas economias passaram, então, a viver o chamado ciclo virtuoso. O aumento do consumo atraiu a chegada de novas empresas, que foram responsáveis por ampliar o mercado de trabalho e renda, estimulando novamente o consumo.

Os indicadores macroeconômicos de cada região podem explicar parte da mudança na geografia do consumo nacional. As economias do Norte e do Nordeste vão crescer acima da média nacional em 2014. A projeção do cenário regional feita pela Tendências Consultoria mostra que o Produto Interno Bruto (PIB) do Norte deve ter o maior avanço do País este ano, com alta de 2,9%, e o do Nordeste terá o segundo maior, com crescimento de 2,7%. Para efeito de comparação, o desempenho esperado para o PIB brasileiro será de 1,9%.

“Uma atividade econômica mais forte impacta na renda da população. Com o PIB crescendo mais no Nordeste e Norte, a massa de renda também vai ser influenciada positivamente, o que estimula o emprego formal e traz todos os efeitos multiplicadores na economia”, afirma Camila Saito, economista da Tendências e responsável pelo cenários regionais.

O crescimento econômico das Regiões Norte e Nordeste deve permanecer acima da média nacional nos próximos anos.

De acordo com a projeção da consultoria Tendências, de 2015 a 2018, a média de crescimento do PIB da Região Norte deve ser de 3,8%. A economia nordestina deve avançar 3,5%. No período, o crescimento brasileiro será de 2,9%.

“Uma coisa interessante de se observar no Nordeste é que vai haver uma mudança no padrão do consumo. Daqui para a frente, não deve haver mais esse impacto do Bolsa Família na economia local, porque o programa já está praticamente universalizado. O impacto da renda desse programa na região vai diminuir, e o motor para o crescimento da massa no Nordeste nos próximos anos vai vir do trabalho”, afirma Saito.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.