FIM DA LUA DE MEL E CAMPOS PÕE LIMITE COM AÉCIO: MAIORIDADE PENAL, CLT E AUTONOMIA DO BC

O PSB permaneceu na base do Governo Lula e Dilma por 13 anos e ainda assim conseguiu formar alianças locais com partidos que fizeram oposição aos governos do PT (com o PSDB, por exemplo, no Paraná com Beto Richa, em Curitiba, e em Minas com Aécio Neves, em Belo Horizonte), estratégia que possibilitou ao partido experimentar um extraordinário crescimento nesse período.

Embalado por essa proximidade o Senador Aécio Neves começou a semana realçando-a na segunda-feira (29) ao sugerir que estarão juntos num futuro governo.

Não tardou para que Eduardo Campos viesse a público para realçar as diferenças que mantém com Aécio Neves e o PSDB, indicando pontos sobre os quais os partidos e os candidatos não terão consensos: por exemplo, maioridade penal, reforma da CLT e autonomia do Banco Central.

Campos deixou claro que não concorda com estabelecer a autonomia do BC em lei, não aceita a reforma da CLT por importar em retirada de direitos e também não concorda com a redução da maioridade penal.

São temas fundamentais que vão além da conjuntura atual, pois são capazes de revelar o quando é possível ou não uma aliança entre os dois candidatos, eis que indicam orientação ideológica e o que pretendem os candidatos para o país.

Aquilo que se esperava acontecesse mais adiante na campanha eleitoral já apareceu de maneira pronunciada na fala de Campos, que é a necessidade de estabelecer diferenças não só em relação à Dilma, mas fundamentalmente em relação a Aécio, que é quem vai ameaçar diretamente a sua ida para o segundo turno.

Aliados de Aécio Neves constataram que o seminário de que o senador participou com Eduardo Campos (PSB) no encontro de empresários, na Bahia, na última sexta-feira, foi o último debate político amigável da dupla nessa campanha presidencial.

A queda mais acentuada de Dilma Rousseff nas pesquisas estimula as candidaturas de ambos e deve precipitar o fim do pacto de não agressão.

A divergência explicitada por Campos ontem foi vista como um capítulo da nova fase.

Sobre Aécio, Campos afirmou que “Temos projetos que são distintos, bases política e social distintas (…) Assumi um compromisso que não se vai fazer mudança no país tirando direito dos trabalhadores. Hoje, o Ministro Mantega fala nisso e o candidato Aécio também já se posicionou em relação a isso. A questão da maioridade penal é outro exemplo. Eu já deixei muito claro que a questão da segurança é muito mais séria que isso. A maioridade penal é uma cláusula pétrea da constituição. O supremo já se posicionou sobre isso, não tem como mudar. Quem está falando que vai mudar isso, não conhece a decisão da suprema corte do país — disse ele, aproveitando para alfinetar o candidato do PSDB que afirmou recentemente apoiar, em casos especiais, a redução da maioridade penal.

O ex-governador pernambucano falou que é preciso “tirar de Brasília aquela velharia que já tirou tudo que podia e impede o Brasil de crescer”, referindo-se a um conjunto tão amplo que é também capaz de atingir todo o PSDB de Aécio, que esteve no poder centrla por 8 anos.

Sobre o segundo turno, Campos afirmou que “Eu acho que numa eleição de dois turnos, durante o primeiro turno a gente só fala do primeiro turno. Eu tenho certeza que vou estar no segundo turno e eu não sei a essa altura quem vai estar no segundo turno para disputar a eleição comigo. Você pode ter até um cenário em que eu e Aécio possamos estar no segundo turno”.