DILMA E O DEVER DE GANHAR NO PRIMEIRO TURNO

Vamos entrando em mais uma semana rumo a Copa do Mundo e às eleições, sob os efeitos da divulgação do mais novo levantamento do Data Folha e da entrega de várias obras cuja concretização só foram possíveis em razão do evento mundial e que, ao mesmo tempo, produziram um grande desgaste a todos os envolvidos.

As últimas pesquisas animaram a oposição, no caso do Data Folha (veja os números adiante) com o pequeno crescimento de Aécio Neves, mas também animaram a base do Governo com a aparente redução da queda de Dilma.

Mas também foi o suficiente para as apostas na realização em um eventual segundo turno aumentarem e propagar-se preocupação no PT.

Nesse momento, as pesquisas alimentam o fetiche dos analistas políticos (e até os econômicos, pois já se fala dos efeitos de uma eventual mudança de governo na economia) e a torcida dos que são contra ou a favor do governo. O sério é que podem ajudar a orientar a estratégia dos partidos.

Uma coisa parece certa: a oposição que parecia morta dá sinais de vida e o governo que parecia reeleito vai ter que suar a camisa e está muito vivo.

Por enquanto, vai valendo os velhos ditados do esporte: o jogo só termina quando acaba (futebol) e uma coisa é chegar a outra é passar (automobilismo).

No mais, qual é a relação entre a Copa do Mundo e as eleições?

Tem quem acredite que de se o Brasil for campeão Dilma será beneficiada e isso faz com que torçam até contra a seleção (ainda que silenciosamente).

Lembro-me de alguns opositores da ditadura torcendo contra a seleção em 1970, com a crença de que o regime ganharia com o Brasil campeão.

Hoje há que acredite que se a seleção for campeão o bom humor do torcedor brasileiro ajudará Dilma. Será?

A ditadura transformou a seleção num evento de Estado, o (prá frente Brasil” do “ame-o ou deixe-o”) e a história (ou melhor, o eleitor) mostrou em 1974 e de depois tantas outras vezes que presidente algum ganha ou perde eleição com as vitórias ou as derrotas da seleção.

Acho (de achar mesmo) isso uma bobagem.

A seleção é um patrimônio nacional. Os negócios e o dinheiro da seleção pertencem aos cartolas, mas a alma é do povo. O futebol faz mais bem que mal ao brasileiro.  É gostoso torcer pelo time e pela seleção.

O aspecto sobre o qual os Governos poderão tirar proveito do evento da Copa já está dado e a reação contra a Copa é tardia e sem racionalidade.

O discurso de relacionar saúde, educação e outros temas com a Copa agora é só lúdico.

Agora o importante não é o “legado”. É o caneco.

Além disso, se for para levar político para o paredão por causa da Copa , quem se salva?

Todas as capitais, em maior ou menor escala, pediram para sediar os jogos – sob governos do PT, PSDB, DEM, PMDB, PSB … – e, então, seus governantes eventualmente podem tirar proveito das obras que foram construídas para viabilizar o evento.

Sob esse aspecto, todos os que estavam no poder quando pediram para seus estados ou suas capitais sediarem a Copa vão poder reivindicar os benefícios das novas avenidas, ruas, calçadas, passarelas, trincheiras, pontes, viadutos, aeroportos, rodoviárias, hotéis, enfim, todas as reformas e construções.

Muito disso tudo foi feito para a Copa e não há como negar esse “legado”.

Se a memória não me trair, o único governador que virou o nariz para a Copa do Mundo foi Roberto Requião no Paraná, deixando o evento totalmente no colo do então prefeito de Curitiba Beto Richa.

Nos outros estados (Aécio, Campos, Serra, Cabral …) todos caíram dentro com Lula para trazer a Copa.

A vontade dos políticos para seu local sediar a Copa era tanta que o Brasil terá um número de sedes maior do que as outras copas mundo afora tiveram.

Afinal, naquela ocasião o proveito político era muito atraente.

Obviamente que todas essas obras e os estádios de futebol (todos absolutamente espetaculares para os padrões brasileiros), uma vez entregues, certamente poderão influir no humor do eleitor. Isso sim, pode produzir ganhos políticos. O resultado do jogos do Brasil já é outra coisa.

Na política, a oposição terá que compreender que se só o discurso anti-corrupção resolvesse Lacerda teria sido presidente várias vezes e Maluf e Ademar de Barros jamais teriam sido reeleitos. É preciso mais para seduzir o eleitor.

O Governo terá que mostrar o que suas opções trouxeram de bom e o que ainda pode fazer. Só assim seguirá seduzindo o eleitor.

O DATA FOLHA

As análises, de parte a parte, resvalam para a torcida.

O fato é que  até agora Dilma Rousseff (PT) vence a eleição (senão no primeiro, no segundo turno).

No Sul a petista tem a menor intenção de voto em relação às outras quatro regiões do país. No Sul, Dilma tem 29%, Aécio Neves (PSDB) tem 19% e Eduardo Campos (PSB) tem 8%. Dilma cresce no Norte (53%) e Nordeste (52%) e Aécio, no Sudeste (27%) e no Centro-Oeste (22%). Os melhores índices de Campos estão no Nordeste (16%) e no Centro-Oeste (15%).

No Sudeste e no Centro-Oeste Dilma faz 30% das intenções de voto em cada uma das duas regiões. Já Aécio, faz 13% no Norte e 12% no Nordeste. E Campos, 11% no Norte e 7% no Sudeste.

É um cenário que faz parte da vida dos presidentes que foram à reeleição até agora. A rigor, nada de anormal.

Aliás, quem vai para a reeleição não tem obrigação de ganhar no primeiro turno.