NA ESPORTIVA, DILMA DEU UM “CHAPÉU” EM BLATTER, VALQUE, MARINS E NOS TORTURADORES (QUE “PERDERAM”)

Durante quatro horas nesta quinta-feira, a Presidente Dilma reuniu um grupo de 10 jornalistas esportivos no Palácio: Renata Fan, Paulo Vinícus Coelho, Juca Kfouri, Paulo Calçade, Renato Maurício Prado, Mauro Beting, Milton Leite, Tino Marcos, Paulo Sant’Anna e Téo José. A conversa foi descontraída e Dilma falou de detalhes que não tinha falado até agora sobre a Copa no Brasil.

BLATTER E VALQUE: DUAS MALAS

Quando falava sobre as obras de metrô, Dilma foi indagada se eram para a Copa e respondeu prontamente com uma alfinetada nos dois principais dirigentes da FIFA: “Tirem o Blatter e o Valcke das minhas costas! Não tem nada a ver com a Copa, são obras para as cidades”. Um dos interlocutores emendou: “Eles são um peso, Presidente”. A resposta também foi pronta””Ô, se são”.

Na verdade, Dilma externou o sentimento de que não foi o seu governo quem trouxe a Copa para o Brasil e tampouco criou os problemas em torno do evento.

O Governo Federal não é o responsável pela execução das obras dos estádios e a maioria das obras ligadas à Copa, embora tenha viabilizado praticamente quase que a totalidade dos recursos na maioria delas.

A Copa veio para o Brasil como resultado do esforço de praticamente todos os governadores e prefeitos que pretendiam sediar o evento com o Presidente Lula e a CBF, mas agora vários deles fogem da responsabilidade.

No início do mês o Governador Beto Richa, antes um entusiasta da Copa na Prefeitura de Curitiba e no Governo do Estado, se disse arrependido e enganado, pois imaginava que os recursos seriam a fundo perdido.

JOSÉ MARIA MARIN

Segundo Coelho, também importante — e emocionante — foi quando Dilma respondeu à pergunta de Juca Kfouri sobre sentar-se ao lado de José Maria Marin, o presidente da CBF e do COL, na abertura da Copa. Juca lembrou que Carlos, ex-marido de Dilma foi torturado pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, elogiado em discurso de Marin em 1975. Dilma afirmou ter precisado sentar-se com muito mais gente desse tipo, que apoiou a ditadura e foi cúmplice da tortura. Explicou por que não a incomoda tanto a obrigação de conviver com esse tipo de gente:

“Porque citar Carlos? Torturou a mim. Sabe o que sinto? Eu sinto que não sou eu quem tem de justificar nenhuma barbaridade para minha filha ou meu neto. São eles que têm. Nós ganhamos! Eu posso contar a todos os meus familiares o que fiz e eles não podem. A verdade é que nós ganhamos! É assim que sinto: nos ganhamos!”.

O QUE FICA DA COPA

Segundo Paulo Vinícius Coelho, Dilma revelou que “Tudo o que se fizer no Brasil ainda é pouco! O país está muito acima da expectativa que tínhamos para ele dez anos atrás. A Copa do Mundo vai ser muito boa”.

“A Transcarioca é para a população do Rio de Janeiro, não para a Copa do Mundo”.

“A modernização do nosso futebol seria um grande legado da Copa. E, por tudo que ouvi essa noite, me parece que a turma do Bom Senso poderá nos ajudar a encontrar alguns caminhos”.

“É muito triste ver, como vi, o outro dia, um garoto que me dizer que não se interessava por futebol. Isso é grave. O futebol é um dos mais importantes patrimônios culturais do nosso país. Não podemos permitir que se esvazie. É preciso que os clubes encontrem formas de se tornar mais fortes, para manter nossos melhores jogadores atuando aqui e não no exterior”.

“Não adianta ficar refinanciando o que os clubes devem, se eles não conseguirem arcar com as prestações de suas dívidas e com os impostos futuros. Se houver nova inadimplência, o melhor caminho me parece ser mesmo o de penas esportivas. Podemos ajudar com o novo programa, mas exigindo um comportamento correto daqui pra frente. Quem não cumprir o combinado, deve perder pontos e pode até ser rebaixado ou excluído dos campeonatos”.

“Não vou criar a Futebrás. Mas o Governo pode conduzir essa reforma e a modernização das gestões. A CBF, a Federação e os clubes são entidades privadas, mas, por exemplo, todos os 12 estádios construídos ou reformados para a Copa têm dinheiro do  BNDES e, portanto, podem ser fiscalizados…”

VIOLÊNCIA E MANIFESTAÇÕES

“Não é possível que um torcedor morra, atingido por um vaso sanitário e nada aconteça. Precisamos fazer algo”.

“Aprendemos muito com o que houve na Copa das Confederações. Ali tivemos excessos das duas partes; dos manifestantes e da repressão policial. Desta vez, acho que todos se portarão de forma bem diferente, até porque a opinião pública está contrária a violência e quebra-quebra . De qualquer forma, fizemos um grande trabalho de integração entre todas as forças de segurança, as polícias militar e federal e até o exército, que participará como última linha de proteção dos cinturões que serão posicionados em torno dos estádios, hotéis das delegações e aeroportos. Garanto que nenhum membro da Fifa ou das seleções estrangeiras será importunado”.

“Brasil fará a Copa das Copas. Vai tudo funcionar, vocês vão ver. E o país do futebol sediará o maior espetáculo esportivo do mundo como ninguém”.

“Começamos o processo dos aeroportos em 2011 e embora as reformas ainda não estejam todas prontas, não teremos atropelos, vocês verão. As delegações de chefes de estado deverão desembarcar em bases aéreas militares, até por uma questão maior de segurança, e as demais serão bem atendidas, mesmo nos aeroportos que ainda estão sendo reformados, pois  já terão áreas novas e estruturas temporárias para facilitar o embarque e o desembarque. O Galeão, no Rio, por exemplo, só ficará totalmente pronto daqui a uns três anos. Mas vai funcionar bem durante o Mundial e, quando estiver totalmente reformado, deverá se tornar o principal ponto de conexões da América do Sul, superando até São Paulo. A empresa que assumiu 51% dele não nos pagaria, como pagou, R$ 19 bilhões, senão tivesse a certeza de que poderia transformá-lo num enorme sucesso empresarial. A Infraero, que ficou com 49%, terá nessa parceria um ganho enorme de know-how de operação. Conhecimento que poderá ser utilizado em todos os outros aeroportos que opera, Brasil afora”.

REELEIÇÃO

“O que vai contar mesmo são as realizações do meu Governo. Que são muitas e as mostraremos em detalhes, depois do Mundial, durante a campanha”.

“Em 2006, nessa mesma época, o Lula tinha índices piores que os meus e ganhou. Quanto a ir para um possível segundo turno, nenhum problema. Ninguém se candidata pensando em vencer no primeiro turno. O importante é a vitória final”.

“Lula e eu somos muito próximos. Já passamos muita coisa junta. De bom e de ruim. E ele já me disse que nem sequer cogita essa hipótese. É a minha hora. E vou até o fim. Perdendo ou ganhando”.