JUSTIÇA GAÚCHA ABSOLVE DANILO CRISPIM E FÁBIO GUSMÃO NO CASO DO SEQÜESTRO DOS AGRICULTORES PARANAENSES NO RS

Chegou ao fim mais um capítulo do rumoroso seqüestro de agricultores paranaenses por quadrilha de bandidos do Rio Grande do Sul, que resultou na morte de um dos reféns e também de um policial gaúcho pelos policiais paranaenses envolvidos na operação de resgate dos seqüestrados. Veja a matéria.

Condenada quadrilha que sequestrou agricultores do Paraná


(Imagem meramente ilustrativa)

Os réus se uniram mediante grande número de agentes, com o propósito de praticar o mais grave e hediondo dos crimes previstos em lei, sequestro e cárcere privado, que no resultou na morte de um dos sequestrados.

Foi com esse entendimento a magistrada condenou os sequestradores pelo crime que resultou na morte de refém em Gravataí.

Juíza da 1ª Vara Criminal de Gravataí, Eda Salete Zanatta de Miranda, condenou os sequestradores de dois agricultores do Paraná a 34 anos e 6 meses de reclusão em regime fechado. O crime resultou na morte de um dos reféns, Lírio Persch.

Segundo a magistrada o crime foi executado de forma premeditada, de forma que os acusados, de forma reiterada, uniram-se para a prática dos delitos.

Foram condenados Claudemir Corrêa dos Santos, Edinei Figueiro, Fábio Eliandro Kelm Zarbock, João Rodrigues Ferreira, Márcio Lourival da Silva, Nívea Rosa Galindo da Silva e Marinete Alves da Silva.

O fato

Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público, entre os dias 20 e 21/12/2011 os acusados sequestraram as vítimas Lírio Darcy Persch e Osmar José Finkler na RS-118. O objetivo era conseguir obter o pagamento de R$ 55 mil. As vítimas permaneceram mais de 24 horas sob o domínio dos bandidos. O resultado foi a morte da vítima, Lírio Persch.

Para executar o delito a quadrilha colocou um anúncio falso na internet de uma máquina colheitadeira no valor de R$ 140 mil, valor inferior ao preço de mercado. O agricultor Osmar José Finkler, residente na cidade de Quatro Pontes/PR, viajou com seu amigo, Lírio Darcy Persch, para negociar a compra da colheitadeira. O local de encontro marcado pelos sequestradores foi o Posto Radar, localizado na BR 118. As vítimas foram rendidas e levadas ao cativeiro, onde foram algemadas e vendadas. Os denunciados ameaçaram os reféns de morte o tempo todo.

No dia seguinte, após os denunciados certificarem-se que houve o pagamento de R$ 55 mil através de recibos bancários via e-mail (resultantes da venda de um caminhão por telefone, por ordem da quadrilha, e de depósito da esposa do refém Osmar), decidiram então libertar as vítimas.

Em seguida os denunciados Márcio, João e Claudemir, na posse de armas de fogo, colocaram as vítimas no banco de trás do automóvel Corsa. Ao abrirem o portão eletrônico da garagem da moradia e saírem de ré, avistaram policiais que estavam na localidade procurando o cativeiro. Em seguida, o Delegado Leonel Fagundes Carivalli efetuou três disparos de arma de fogo em direção ao veículo dos sequestradores.

O resultado foi a morte do refém, Lírio Darcy Persch.

O papel de cada um na quadrilha

O denunciado Edinei Figueiro, tripulava o carro Corsa no momento da abordagem. Era ele o responsável por fazer contato com os demais membros da quadrilha para combinar o modo de execução do crime, além de ficar responsável por toda a logística do fato. Também cabia a ele auxiliar na colocação do veículo das vítimas em local escondido e vigiar o cativeiro quato à aproximação da polícia.

Marinete Alves da Silva era a responsável por conseguir as contas bancárias para a quadrilha para transferir os valores extorquidos das vítimas.

Claudemir Corrêa dos SantosJoão Rodrigues Ferreira e Márcio Lourival da Silva tinham a missão de capturar as vítimas para levarem ao cativeiro, bem como extorqui-las e ameaçá-las de morte para obtenção dos valores pretendidos.

Fábio Eliandro alugou a moradia, em Gravataí, para servir como cativeiro, apoiando moral e materialmente na prática do crime.

A Nívea, a esposa de Márcio Lourival da Silva, cabia assessorar os demais sequestradores, auxiliando na guarda e manutenção do cativeiro, incluindo deslocamento até o local indicado para receber o pagamento dos valores extorquidos pela quadrilha.

Delegados absolvidos

Os Delegados Danilo Zarlenga Crispim e Fábio Lacerda Gusmão, policiais do Paraná, foram absolvidos da acusação de omissão na morte do refém Lírio por, supostamente, já estarem monitorando a quadrilha e não avisarem os agricultores de que seriam vítimas de um golpe. 

Para a Juíza: “Ficou claro no autos que a quadrilha realizou milhares de ligações no espaço de tempo em que foram monitorados ¿ somente no alvo monitorado pelo réu Fábio, foram realizadas cerca de seis mil ligações ¿ o que certamente prejudicou o monitoramento em tempo real das conversas, sendo que o exame dos áudios somente se deu quando as vítimas já estavam em cativeiro”.

O Delegado Leonel Fagundes Carivali, que alvejou o refém Lírio Persch foi absolvido sumariamente em processo do Tribunal do Júri, reconhecida a legítima defesa.

Veja notícia a seguir: Absolvido delegado acusado de matar refém de sequestro em Gravataí.

Morte de Policial Militar

O outro processo que envolve a morte do Policial Militar, Ariel da Silva, pelos policiais do Grupo Tigre, do Paraná, está em fase de Instrução (proc. 21200005103).

Processo 21100085059 (Comarca de Gravataí). Site TJ/RS.

Leia mais:

GAZETA DO POVO
CASO GRAVATAÍ

Comandante do Tigre e policiais são afastados por caso de sequestro no RS

Polícia Civil do Paraná considera “absurda” a determinação, mas anunciou nesta quarta que cumprirá decisão da Justiça gaúcha

18/04/2012 | 15:10 | 

Em cumprimento a decisão judicial, a Polícia Civil (PC) do Paraná anunciou nesta quarta-feira (18) que o delegado comandante do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre), Renato Bastos Figueiroa, foi afastado da função. Junto com ele, serão transferidos o delegado Danilo Zarlenga Crispim e o investigador Fábio Lacerda Gusmão. Todos vão ser remanejados para a Escola Superior de Polícia Civil (ESPC). Um novo comandante para o Tigre foi escolhido na tarde desta quarta (leia ao lado).

A determinação do afastamento dos policiais da unidade especializada no combate a sequestros partiu da Justiça do Rio Grande do Sul e assinada pela juíza Eda Salete Zanatta de Miranda, da 1ª Vara Criminal de Gravataí.

O delegado Sivanei de Almeida Gomes será o novo comandante do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre), no lugar de Renato Bastos Figueiroa. A informação foi confirmada na tarde desta quarta-feira (18) pela Polícia Civil do Paraná.

Sivanei estava trabalhando na Agência de Inteligência da Polícia Civil e já atuou na Delegacia de Homicídios de Curitiba e também na Delegacia Regional de Rio Negro, na região Sul do Paraná. Ele também foi professor da Escola Superior de Polícia Civil (ESPC).

Segundo ela, os policiais poderiam manipular as informações prestadas à Justiça sobre o caso do sequestro do agricultor Lírio Persch, que acabou morto em dezembro do ano passado pelo delegado gaúcho Leonel Carivali.

Em nota, a polícia paranaense criticou duramente a ordem. “Embora dê cumprimento à decisão judicial, a Polícia Civil do Paraná a considera absurda e passível de recurso em instância superior”, diz trecho de uma nota divulgada pela polícia.

A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que a apresentação de recursos não será feita pela instituição e ficará a cargos do Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná (Sindepol) e do Sindicato das Classes de Base da Polícia Civil do Paraná (Sinclapol)

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) divulgou que a magistrada argumentou pelo afastamento porque a permanência dos policiais nos cargos “estaria prejudicando a isenção das diligências realizadas, colocando em risco a busca da verdade real e a produção probatória.” A própria juíza afirmou que “os denunciados podem estar se valendo da máquina estatal, em virtude da função pública que exercem, podendo prejudicar a instrução processual se mantidos em seus atuais cargos.”

O promotor de Justiça André Luis Dal Molin Flores, autor do pedido de afastamento, argumentou ainda que os três policiais do Tigre foram omissos com relação ao caso do agricultor, já que supostamente saberiam que Persch seria sequestrado. Para Flores, era possível evitar o crime.

ZH Notícias

Operação Desastre

Justiça aceita denúncia contra policiais envolvidos em morte de refém em Gravataí

Entre os réus estão dois delegados e um investigador do Paraná e um delegado gaúcho

29/03/2012

Correção: Das 10h21min às 16h, este site informou equivocadamente que a denúncia aceita pela Justiça tratava da morte do refém e do policial militar (PM). Na verdade, a Justiça acolheu somente a denúncia que trata da morte do refém. A morte do PM ainda está sendo investigada.

A 1ª Vara Criminal de Gravataí aceitou a denúncia do Ministério Público Estadual contra 12 pessoas envolvidas na morte de um refém no dia 21 de dezembro de 2011, em Gravataí. Na ocasião, morreu também o sargento da BM Ariel da Silva, cuja morte ainda está sendo investigada.

No caso dos policiais civis do Paraná, eles foram denunciados por omissão penalmente relevante com relação ao crime de extorsão mediante sequestro, segundo o promotor André Luis Dal Molin Flores.

Entre os denunciados, estão dois delegados do Paraná, Danilo Zarlenga Crispim e Renato Bastos Figueiro, um investigador do mesmo Estado, Fábio Lacerda Gusmão, e um delegado gaúcho, Leonel Fagudes Carivali.

Além disso, a juíza Eda Salete Zanatta de Miranda determinou a prisão preventiva de mais cinco suspeitos de terem participado do sequestro do agricultor Lírio Darcy Persch, 50 anos: Marinete Alves da Silva, Edinei Figueiro, Nívea Rosa Galindo da Silva, Vladimir Aparecido Carvalho Grade e o paraguaio Fábio Eliandro Kelm Zarbock..

Outros três suspeitos de participarem da ação já tinham contra si mandados de prisão preventiva: João Rodrigues Ferreira, Márcio Lourival da Silva e Claudemir Correa dos Santos. Estes três últimos foram presos após operação da Polícia Civil, que resultou no estouro do cativeiro, em Gravataí, aonde estava o agricultor e um amigo, Osmar José Finkler, este que foi libertado.

Em janeiro, o delegado Leonel Carivali pediu exoneração do cargo de diretor da primeira da Delegacia Regional Metropolitana. O ofício foi encaminhado ao chefe de polícia, delegado Ranolfo Vieira Júnior, que informou que acatou a solicitação. O motivo do pedido de exoneração do cargo se deve, segundo o ofício, ao seu indiciamento, que teria deixado sua permanência na função inviável. No dia 20 de janeiro, Carivali foi indiciado pela Corregedoria da Polícia Civil pela morte do agricultor. O cargo foi assumido pelo delegado Cleiton Freitas, que já exercia a função nas férias de Carivali.

Entenda o caso

Na noite de 20 de dezembro de 2011, três policiais civis do Grupo Tigre do Paraná chegam ao Rio Grande do Sul para investigar uma quadrilha que mantinha em cárcere privado dois agricultores moradores daquele estado. Em uma viatura discreta, procuram pelo cativeiro em Gravataí. No bairro Morada do Vale II, eles cruzam com o sargento Ariel da Silva, à paisana, que estava de folga em uma motocicleta. Após desconfiança mútua, teria ocorrido troca de tiros. Cinco deles atingiram o PM. Os paranaenses são levados para o plantão da Polícia Civil de Gravataí. Depois de serem ouvidos, os três são liberados e retornam para Curitiba.

Os policiais civis paranaenses tiveram prisão preventiva  decretada e foram denunciados pela morte do sargento Ariel da Silva, ocorrida na madrugada daquele dia. O PM à paisana suspeitou de três homens em um carro com placas do Paraná e acabou morto com uma rajada de metralhadora. Em um carro discreto, os paranaenses buscavam, em Gravataí, o cativeiro de um agricultor daquele estado. Um laudo pericial do Instituto-geral de Perícias (IGP) revelou posteriormente que o sargento havia ingerido álcool antes de morrer.

Uma segunda equipe do Paraná, com quatro agentes, chega à Gravataí para continuar as buscas aos reféns. São seguidos pela Polícia Civil gaúcha. A Brigada Militar não é informada da ação. Os carros discretos dos policiais civis chamam a atenção de moradores, que ligam para o telefone 190. PMs abordam os policiais na rua Doutor Luiz bastos do Prado. Em seguida, um Corsa com placas procuradas pelos agentes começa a sair de ré da garagem de um sobrado com cinco pessoas em seu interior (três bandidos e dois reféns). Os sequestradores deixavam o cativeiro, após receberem o resgate, para libertar os agricultores. Os policiais identificam as placas e correm em direção à casa. O delegado Carivali afirmou que atirou após um dos criminosos ameaçar sacar uma arma. O tiro atigiu o agricultor Lírio Persch.