NO RODA VIVA, BETO RICHA DÁ A LARGADA NA CAMPANHA E ATACA REQUIÃO E GLEISI

Depois de mais de 3 anos como governador, Beto Richa tem tido uma avaliação pior do que quando foi prefeito de Curitiba por dois mandatos e no programa Roda Viva, da TV Educativa do Estado de São Paulo, nesta segunda-feira, responsabilizou o antecessor, o senador Roberto Requião (PMDB), seu adversário histórico, pelos problemas que enfrenta à frente do Estado. “Encontrei um Estado com muitas dificuldades, pagando muitas dívidas do governo anterior.”

Com esse tom Beto Richa praticamente deu a largada para o debate eleitoral, pois durante todo o programa dirigiu ataques diretos aos seus principais adversários, os senadores Roberto Requião e Gleisi Hoffmann.

Quando questionado sobre o fato de buscar o apoio de Orlando Perssuti, que governou o Estado com Requião por 8 anos, ambos do PMDB, Beto Richa disse que Pessuti governou só por “uns poucos meses” e debitou a situação financeira ruim que alega ter encontrado no Estado exclusivamente a Requião.

Beto acusou Requião de ter entregue um contingente da Polícia Militar menor do que recebeu quanto assumiu e de ter fechado o Estado para os investimentos privados com seu estilo de governar.

Sobre a Copa do mundo, Beto reconheceu que foi um entusiasta do evento em Curitiba quando era prefeito, mas que foi “enganado”, pois imaginada que os investimentos a serem realizados seriam a “fundo perdido”.

Quando foi perguntado se isso não teria sido muita ingenuidade para um político da sua estatura, Beto defendeu os ganhos que a capital terá com a Copa.

Beto reconheceu que em uma convenção interna do PMDB Requião é “imbatível” mas que, no entanto, a maioria do PMDB é pela coligação com o PSDB.

Mas as desconfianças aumentam quando chegam notícias que parte da bancada dos deputados estaduais do PMDB que estão com Beto e que poderiam assegurar o apoio do partido à sua reeleição já começam a procurar Requião, o potencial candidato do próprio PMDB ao Governo.

Os contatos que até o início do ano não existiam começaram a ser mais frequentes, o que tem animado Requião, pois, com isso, intensificou sua peregrinação pelo interior do Estado em busca de apoio. A razão é simples: com Requião o partido tem chances de reproduzir a bancada e, portanto, os deputados terão um cenário mais seguro para manter seus mandatos. Essa é a conta que os deputados vão fazer na hora de definir se o PMDB terá ou não candidato próprio e já há quem aposte sem medo de perder que Beto será traído.

Aparentemente Beto Richa já dá como certa uma candidatura de Requião, pois atacou-o diversas vezes durante o programa.

Em relação à outra adversária, Richa afirmou que mantém relacionamento “muito cordial” com a presidente da República, mas afirmou ser vítima de perseguição por ter como adversária política Gleisi Hoffmann, que foi ministra da Casa Civil de Dilma.

A presidente Dilma, disse ele, “sempre me tratou com a maior cordialidade. Só que os recursos do Estado foram bloqueados”, disse. Richa citou outros governadores tucanos que não tiveram problemas para a liberação de recursos federais e emendou: “eles não tiveram a infelicidade de ter na Casa Civil uma ministra adversária política.”

Com isso, Beto Richa responsabilizou Gleisi pelo fato dos empréstimos do Paraná não terem sido liberados e indicou que esse será um tema da campanha eleitoral.

Beto não perdeu a oportunidade de atacar o PT e sua candidata, mas reconheceu que efetivamente o Estado investiu 2% menos que o índice obrigatório em saúde, que foi um dos argumentos utilizados pela Secretaria do Tesouro Nacional para não autorizar o aval da União a empréstimo solicitado pelo Paraná.

Sobre o limite de gastos com pessoal, que também foi um dos motivos alegados no Senado para impedir os empréstimos do Paraná, Beto também reconheceu que o Estado ultrapassou o chamado limite prudencial (de 47,5%), mas que não chegou a ultrapassar o limita de 49%.

A Senadora Gleisi Hoffmann será candidata contra Beto Richa em qualquer hipótese.