Pesquisas: Dilma segue sendo um adversário muito duro a ser batido

Existe risco real e imediato para Dilma?
A nova pesquisa Ibope aponta como foi a evolução dos quatro principais candidatos à presidência: Dilma Rousseff (PT) tem 38%; Aécio Neves (PSDB) tem 22%; Eduardo Campos (PSB) tem 13%; Pastor Everaldo (PSC), 3%. José Maria Eymael (PSDC), Magno Malta (PR) e Eduardo Jorge (PV) ficaram cada um com 1%.
Assim, os adversários de Dilma somam 42%, apontando para um eventual segundo turno.
O Ibope fez a pesquisa para a União dos Vereadores de São Paulo. Entrevistou 2002 eleitores em 142 cidades entre os dias 4 e 7 de junho. A margem de erro é de 2% e o grau de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE, sob o número BR-00154/2014.
O que se pode extrair desse cenário?
É fato que as convenções partidárias não consolidaram as alianças e, portanto, ainda não é possível aferir a capilaridade de cada candidato em cada Estado e município, tampouco o tempo de televisão de cada um.
Creio que um bom começo seja lançar um olhar sobre o nível de dificuldades que cada candidato vem enfrentando.
Eduardo Campos tem um grande obstáculo pela frente que se traduz em uma aliança envolvendo poucos parceiros. Os únicos de expressão eleitoral são Marina e o PPS, mas que, como o seu PSB, não têm capilaridade para atingir todos os Estados e todos municípios, resultando que não terá candidatos competitivos e/ou próprios a governador em todas as unidades da federação, inclusive em Estados fundamentais (ex: SP), onde seu partido estará no palanque de Geraldo Alckmin, perigosamente próximo ao muro de Aécio.
Aécio Neves terá que ficar com o que sobrar de Dilma no PMDB e com o DEM, pois perdeu o PPS para Campos, restando-lhe disputar os outros partidos em suas sessões locais que, como sempre, vão rachados para o pleito segundo seus interesses locais.
Dilma terá uma aliança ampla, inevitavelmente. Terá pelo menos um palanque forte em todos os Estados. Tem a máquina do governo federal.
Até aqui o desempenho de Dilma está dentro da normalidade, sempre com percentual de intenção de voto rondando a casa dos 40%. É muita coisa.
Muita coisa considerando a inusitada pancadaria do mercado financeiro e de setores do grande empresariado contra a política econômica e que se reflete na também inusitada má vontade da mídia (controlada por esses setores) contra o seu governo e responsável pelo excesso de pessimismo contra a economia do país, o que, segundo gente como Luiz Carlos Mendonça de Barros, Bresser Pereira, Beluzzo e até o Presidente da Febraban, não tem fundamento.
Além disso, ainda está carregando nas costas o desgaste com as obras da Copa, embora seu governo não seja responsável direto por praticamente nenhuma delas.
Não me recordo de um presidente que tenha apanhado tanto da mídia como Dilma.
Até aqui Dilma mostra uma resistência extraordinária. Ainda mantém a possibilidade de ganhar a eleição no primeiro turno e vence em qualquer cenário no segundo turno, em qualquer pesquisa.
Conta a seu favor a boa vontade do eleitor em reeleger – Lula e FHC também tiveram grandes dificuldades e foram reeleitos – e com o fato dos seus adversários não conseguirem empolgar o eleitor. Falta-lhes inspiração, propostas que possam produzir sonhos e empática eleitoral.
Não se pode perder de vista também que, passada a Copa, muitas obras serão entregues e junto com isso Dilma poderá explorar o inegável bom desempenho dos programas sociais.
Dilma tem muita munição.
Depois de tudo isso, ainda tem o maior eleitor desse pleito ao seu lado. Lula segue com incrível e extraordinário prestígio em todas as pesquisas.
Assim, queira ou não, Dilma segue sendo uma adversária muito dura a ser batida.