O PESSIMISMO NO BRASIL É FALSO OU VERDADEIRO? HÁ QUEM DIGA QUE É FALSO.

O pessimismo vai ocupar um lugar importante na pauta eleitoral.

Trata-se de um elemento importante na estratégia da oposição e em razão de tudo isso o Data Folha, em boa hora, tratou do tema no seu último levantamento.

O pessimismo com o futuro da economia disparou e bateu recorde, mostra a mais nova pesquisa Datafolha. Segundo o levantamento, 36% dos brasileiros acham que a situação vai piorar nos próximos meses – taxa oito pontos maior que a da pesquisa anterior, do início de maio. É a primeira vez que o grupo dos pessimistas supera o dos que acham que tudo fica como está – opinião compartilhada hoje por 32%.

As informações são da Folha de S. Paulo.

Saber se isso é resultado do intenso trabalho que os comentaristas econômicos de plantão dos grandes meios de comunicação, cujo raciocínio economicista tende a reproduzir os interesses do grande capital financeiro, afirmando diariamente o fracasso da economia brasileira, e dos especuladores da Bolsa de Valores que ganham com as oscilações dos mercado ou se efetivamente é um retrato fiel da economia brasileira.

O Datafolha entrevistou 4.337 pessoas entre terça (3) e quinta (5) em 207 municípios. A margem de erro do levantamento é de dois pontos para mais ou para menos.

O levantamento mostra aumento no número de pessoas que está com medo da inflação e até do desemprego, indicador ao qual o governo tem se agarrado para sustentar que a situação econômica não é tão ruim quanto apontam os seus críticos.

Em comparação com a pesquisa de maio, o conjunto das pessoas que acreditam em aumento do desemprego nos próximos meses cresceu seis pontos e atingiu 48%, recorde sob Dilma, somente inferior aos 59% registrados em março de 2009, no auge da crise financeira global, no governo do ex-presidente Lula.

Nos últimos meses, as montadoras intensificaram a concessão de férias coletivas, o que pode ter contribuído para aumentar a sensação de que o emprego corre perigo.

No campo da inflação, apesar das promessas de Brasília de que os preços ficarão sob controle, 64% da população pensa o contrário e acha que a inflação vai subir.

Com isso, o medo do aumento do custo de vida volta ao patamar recorde de abril, depois de cair no levantamento do mês passado e dar a impressão de que o pessimismo com a inflação tinha começado a diminuir.

Como consequência, aumentou também o medo de empobrecer. A porcentagem de brasileiros que espera diminuição no poder de compra dos salários cresceu de 34% para 38%. Esse índice era de 28% em novembro do ano passado e vem subindo.

A aprovação ao governo da presidente Dilma Rousseff caiu, aproximando-se do ponto mais baixo a que sua popularidade chegou no ano passado, em meio às manifestações de rua de junho.

Segundo o Datafolha, 33% dos brasileiros consideram seu governo ótimo ou bom, e 28% acham que ele é ruim ou péssimo, taxa dois pontos maior que a da última pesquisa. A nota dada pelos entrevistados ao governo foi 5,6, a mais baixa desde março de 2011.

Mas há quem sustente que o medo é maior que a verdade econômica.

Vale a leitura das matérias que seguem:

04/04/14

Vivemos há mais de cinco anos em um mundo financeiro comandado por movimentos de manada. São períodos de correções bruscas de preços de ativos, quase sempre motivados por previsões erradas ou especulações sem sentido.

Posso afirmar ao leitor da Folha que nos mais de 45 anos como personagem no mundo das finanças não tinha ainda vivenciado um período como este. Cresci e amadureci respeitando sempre as relações dos mercados com a macroeconomia e a política, ficando as especulações com eventos menores sempre em segundo plano. Em outras palavras, fui treinado para separar o que são só ruídos dos ventos de mudanças nas condições da economia à frente.

Meu treinamento de tantos anos foi perdendo sua eficiência na medida em que apenas ruídos, e não fatos, passaram a comandar o vaivém dos preços dos ativos financeiros de maior volatilidade. Mas não foi só comigo que isso aconteceu neste período.

Outros analistas também passaram a sofrer com as mesmas dificuldades de considerar os ruídos e sua influência decisiva na condução dos mercados em suas análises.

Alguns, dos mais importantes, optaram por uma aposentadoria precoce e passaram a dedicar sua capacidade analítica para questões mais estruturais e de prazo mais longo e, por essa razão, mais relevantes. Talvez devesse ter trilhado o mesmo caminho, mas decidi pagar para ver até quando esse jogo maluco vai prevalecer.

Essa posição tem me custado muitos dissabores, mas também tem me trazido vitórias reconfortantes. Vejamos, por exemplo, o que vem acontecendo com o índice Bovespa nos últimos 12 meses, depois de o presidente do Fed dar as primeiras indicações de que estava na hora de começar a reverter a política monetária nos EUA. Isso foi em junho de 2013 e, a partir daí, os mercados começaram a precificar o caos monetário nos emergentes e as cotações passaram a seguir movimentos senoidais ao redor de um mesmo eixo.

Segundo um grande número de analistas, com uma nova política de juros na maior economia do mundo, haveria uma migração brusca e intensa de recursos dos mercados emergentes para Wall Street. Sinal para que a manada iniciasse sua corrida maluca de retirada de dinheiro dos fundos dedicados – títulos de juros, taxas de câmbio e ações – ao mundo emergente, provocando em junho do ano passado uma primeira onda de venda na Bovespa.

O índice, que estava estabilizado nos 55 mil pontos havia algum tempo, começou a cair de forma vertiginosa, chegando aos 45 mil pontos ao final de julho. Uma queda de quase 20% em menos de 30 dias.

Já em agosto de 2013 a Bovespa começava um movimento de recuperação, voltando aos 55 mil pontos entre outubro e novembro. Uma alta de 22% em um espaço de três meses, período em que o Fed afirmava e reafirmava que a normalização dos juros deveria ocorrer apenas por volta de 2016.

Mas essa recuperação durou muito pouco e já em dezembro a Bovespa cruzava novamente a marca dos 50 mil pontos, chegando, em meados de março, aos 45 mil pontos. O detonador desse movimento foi a decisão do Fed de iniciar a redução do volume de compra de títulos do Tesouro americano no mercado secundário desses papéis.

Mais uma vez especuladores e investidores ignoraram as mensagens de que o Fed manteria, ainda por muito tempo, os juros próximos de zero em suas operações de um dia com o sistema bancário. Estamos assistindo agora a uma nova senoide nos índices Bovespa, com o mercado recuperando os 52 mil pontos anteontem.

Esse vaivém é uma verdadeira loucura se considerarmos que o estado da economia brasileira nesse período não apresentou nenhuma mudança significativa.

Apenas o mau humor dos mercados com o governo Dilma apresentou uma deterioração da magnitude da variação da Bovespa.

Era preciso acreditar em uma catástrofe, como o Brasil caminhando na direção da Venezuela ou da Argentina, para sancionar a Bovespa nos 45 mil pontos. E, se a próxima pesquisa eleitoral Datafolha mostrar uma queda na intenção de voto da presidente, certamente o Ibovespa voltará ao nível dos 55 mil pontos.

Pobre investidor brasileiro!

Luiz Carlos Mendonça de Barros – Engenheiro e economista, é economista-chefe da Quest Investimentos. Foi presidente do BNDES
Fonte: Folha de S. Paulo.

01.06.2014

BELUZZO FALA SOBRE A ECONOMIA. VALE A LEITURA.

O economista Luiz Gonzaga Belluzo tem sido uma conseguido manter um bom nível de equilíbrio na pancadaria partidária e ideologizada em que se transformou o debate sobre a economia brasileira.
Seus textos e entrevistas são leitura obrigatória para quem quer ter uma impressão descontaminada do debate eleitoral sobre a economia nacional.
Apesar de declarar seu voto em Dilma, não abre mão de divergir e criticar o governo, sempre com argumentos muito plausíveis, como acaba de fazer em entrevista ao Globo. Vale a leitura.

Belluzzo: ‘Felipão pode ter seleção de economistas que chutam’
Conselheiro informal da presidente Dilma, economista critica estimativas sobre queda do PIB
por HENRIQUE GOMES BATISTA
01/06/14
Incentivo. Para Belluzzo, é preciso “desonerar, o investimento, desonerar mesmo’

RIO – Conselheiro informal da presidente Dilma e professor da Unicamp, economista Luiz Gonzaga Belluzzo critica estimativas sobre queda do PIB potencial. Mas alerta: governo precisa criar horizontes para investimento voltar. E afirma que o atual mau humor com a economia não se justifica.

Como o senhor viu a alta de 0,2% do PIB no primeiro trimestre?

Imaginava algo assim, o resultado viria ruim até pela queda da indústria automobilística. O problema é a expectativa daqui pra frente. A taxa de crescimento do próximo trimestre virá fraca se não houver impulso nos investimentos. Se isso não ocorrer, não diria que haveria uma leve recessão, embora isso não possa ser afastado, mas a economia poderia andar devagar.

O país está sem motor do crescimento?

O investimento depende de decisão empresarial e financiamento e demora até produzir efeitos. Muitos empresários estão analisando mal a conjuntura. E os investimentos públicos, as concessões e a Petrobras, que têm muito peso, não estão avançando com velocidade. Já era esperada a redução do consumo das famílias. De 2010 para cá, o declínio é progressivo, pois aumentou o endividamento das famílias, o que compromete a renda. Isso limita a venda de bens duráveis. E você compra uma TV, não três, embora algumas famílias até comprem três de uma vez, mas não todo mês.

A solução para o Brasil é melhorar sua produtividade?

Defender o aumento da produtividade é como dizer: é preciso curar as doenças para as pessoas terem saúde (risos). Temos que pensar na situação industrial, na articulação das cadeias produtivas. O Brasil está atrasado em vários pontos, mas tem perspectivas no pré-sal, energia, etanol, infraestrutura. Tudo isso terá um forte impacto. O Brasil tem oportunidades, mas estamos fazendo agora a passagem de mudança do eixo do crescimento, do consumo para os investimentos. Não é trivial.

Por que o investimento não cresce?

O problema é como articular tudo isso. Precisamos de uma estratégia de integração de cadeias produtivas. Não é só fazer acordos comerciais. O que não podemos é ser atropelados por uma onda de importações de itens que poderíamos fazer aqui, com alguma insistência, com ganhos de produtividade. Olhando a longo prazo, vemos oportunidades, mas isto de longo prazo não cai do céu. Temos que organizar a economia. E pra isso precisamos escapar deste mau humor. Se comparar com outros países, verá que não é justificável. Temos uma fronteira de investimento com o pré-sal. Mas o governo precisa dar os incentivos corretos. Temos esse debate, se pode ter intervenção do Estado na economia — isso é bobagem, em todo lugar há. A questão depende da eficiência da intervenção. O importante é debater se o Estado está usando os instrumentos corretos para induzir o setor privado. Na China, há articulação entre os setores: indústria, infraestrutura, saneamento, transporte. Eles estão virando o jogo para depender menos da exportação. É um país que tem estratégia. O que vejo no Brasil é que não se discute estratégia. A discussão fica sobre o tripé econômico. Ninguém vai advogar que se deve ter débitos fiscais enormes, deixar o Brasil vulnerável, mas temos que debater um espaço estratégico maior.

Mas o Brasil não está preso ao modelo de incentivo ao consumo?

As pessoas opõem, erroneamente, o consumo ao investimento. É claro que se você ampliar o investimento vai fazer crescer o consumo. O problema é que o consumo, sobretudo de duráveis, tem limites. Hoje vemos o consumo crescer, e a indústria não cresce, pois temos um desequilíbrio de preços relativos que fazem com que as pessoas consumam e isso faz com que aumentem as importações. Alguns dizem que precisa de uma base de serviços mais avançada, mas você só tem um setor de serviços sofisticados se houver uma boa base industrial. A divisão de setores é cada vez menor.

O PIB potencial está caindo?

É muito difícil fazer a estimativa do PIB potencial. Há redução do PIB potencial ao menos da manufatura. Mas, se somar a capacidade da expansão da agricultura e da energia, o resultado é outro. Não sei como estão calculando isso. Muitas vezes isso é chute. Economista arrisca lá um PIB potencial. Acho que deveríamos fazer uma seleção de economistas. Se essa seleção atual não der certo, vou indicar pro Felipão, chama fulano, ele chuta bem, chama sicrano, ele não para de chutar, poderia ter uma seleção só de economistas de tanto que chutam (risos). Temos que aumentar nossa capacidade produtiva com investimento. Você só pode resolver isso com uma construção institucional. Começar pouco a pouco, com ação clara, mais orientada, mais bem dirigida do que foi realizada no período recente, mais orientada para o setor privado para que ele reaja, com crédito correto, com incentivos corretos, com horizonte. Precisamos desonerar o setor de capital de vez, desonerar o investimento de vez, desonerar mesmo. É preciso também desonerar de fato a exportação de manufaturados. Mas, para isso, é preciso paciência, não se resolve da noite para o dia.

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