O GRANDE LEGADO DA COPA É A DERROTA DA MALEDICÊNCIA

O grande legado que o Brasil colhe pelo sucesso da Copa do Mundo não são os cerca de 30 bilhões aplicados para concretizar obras de infra-estrutura e nem os 8 bilhões aplicados para construir e reformar estádios de futebol e centros de treinamento, que alguns insistem não ter sido completo e outros que foi o suficiente para a realização do evento.

O grande legado que o Brasil ganhou com a Copa foi o que milhões e milhões de pessoas mundo afora viram durante os dias em que o evento se desenrolou.

A imagem falou mais que qualquer marrativa.

Antes da Copa a imagem que se projetou pela mídia mundial (é bem verdade, alimentada pelos atrasos nas obras, especialmente de alguns estádios e pelo pessimismo exacerbado e de descrédito da mídia local) foi a do  povo do jeitinho, da malandragem, da esperteza, indisciplinado, mal educado e atrasado, historicamente incompetente e, portanto, um país incapaz de realizar eventos da magnitude da Copa do Mundo e Olimpíada.

Além disso, a mídia local projetou o medo de que a ira popular, estampada nas manifestações de junho de 2013, viesse a impedir que o evento acontecesse.

A maledicência endêmica de certos setores da sociedade se impôs e projetou só o lado ruim do Brasil, aquele tipo de brasileiro que Nelson Rodrigues diz ser contumaz “alma de vira-latas”.

Mas a imagem que fica é a de um evento bem sucedido. Um sucesso.

O que o mundo viu foi um Brasil eficiente, capaz de se organizar, planejar e executar, apesar dos seus graves e históricos problemas sociais.

Além disso, o povo projetou uma imagem de alegria e organização.

Perdeu a Copa dentro de campo e esbanjou categoria fora deles.

O Brasil será visto com outros olhos.

Esse é o grande legado da Copa.

 

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JUN22

FRACASSA O “NÃO VAI TER COPA”: UM ANO APÓS AS MANIFESTAÇÕES DE JUNHO/2013 A COPA É UM SUCESSO DE PÚBLICO E MÍDIA DO CAOS FAZ AUTO-CRÍTICA

Um ano depois dos protestos que levaram mais de 1,2 milhão de pessoas às ruas de pelo menos 100 cidades brasileiras, que ficaram conhecidos como “jornadas de junho”, a Copa do Mundo, que muitos consideram ameaçada por aqueles eventos, dando, inclusive, origem a um movimento denominado NÃO VAI TER COPA, o evento da FIFA não só está acontecendo sem grande perturbações, como transformou-se em um sucesso pleno.

No dia 13 de junho do ano passado, uma passeata organizada pelo Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo foi reprimida pelas forças de segurança.

Antes mesmo do início do ato, manifestantes foram presos porque portavam vinagre, líquido capaz de amenizar o ardor provocado pelo gás lacrimogêneo. Jornalistas foram agredidos e 240 pessoas acabaram detidas.

Atos semelhantes se espalharam pelo país e fortaleceram mobilizações em curso em outros locais. No dia 15, quando teve início a Copa das Confederações, as ações ganharam projeção internacional. O resultado direto dos protestos foi o congelamento ou a redução do preço das passagens em Goiânia, Manaus, Cuiabá, João Pessoa, no Recife, em Vitória, no Rio de Janeiro e em São Paulo, entre outras capitais e municípios do interior.

1 ano depois acontece a Copa do Mundo e marca o fracasso do movimento NÃO VAI TER COPA e contraia todas as previsões mais ou menos pessimistas de que o evento poderia malograr.

A mídia que insistentemente previu e até pregou o caos, arremessando no cenário internacional uma imagem segundo a qual o Brasil não seria capaz de realizar o evento, aos poucos e com certo constrangimento, vai reconhecendo o erro das suas previsões.

No Estado de S. Paulo, a reportagem de Lourival Sant’anna informa que “apesar de problemas, Copa vence o caos”. “Está tendo Copa sim e o Brasil não está fazendo tão feio”. “O resultado é surpreendente: nos pontos em que se temiam mais problemas, como os aeroportos, o transporte e a segurança pública, as coisas estão indo relativamente bem”.

Na Folha, Nelson de Sá diz que “prenúncio de que Copa seria o ‘fim do mundo’ não aguentou três dias … Do início do ano até a abertura da Copa do Mundo, a imagem do Brasil foi alvo de um ataque de histeria da mídia ocidental”.

A Revista Veja veio com uma capa com o título “Só alegria até agora”.

A colunista Mariliz Pereira Jorge, da Folha, escreveu: “Chega o ano em que a Copa é no Brasil. Sempre quis uma Copa no Brasil. Vou tirar férias, passar o mês viajando pelo país, assistir a todos os jogos possíveis, fazer festa na rua, me embebedar abraçada com gente desconhecida. Broxei junto com o clima anti-copa e não fiz nada para participar dela. Ela chegou e eu fiquei de fora”.

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A média de público nos jogos da Copa do Mundo 2014, até agora, é a terceira maior de todas as edições do Mundial. Em 26 jogos disputados, 1.314.735 pessoas pagaram ingressos, com uma média de 50.566 pagantes por jogo.

 

Em todas as copas, a maior média é a de 1994, nos Estados Unidos, com 68.991 pagantes. Essa média não pode ser alcançada pela Copa 2014 devido à menor capacidade dos estádios brasileiros. A segunda maior média, de 52.491 pagantes por jogo, foi registrada em 2006, na Alemanha. Esse resultado poderá ser ultrapassado no Mundial do Brasil.

 

Na primeira Copa realizada no Brasil, em 1950, a média de público foi 47.511 pagantes por jogo. A Copa de 50 tem um recorde que dificilmente será batido. Na partida final entre o Brasil e o Uruguai, no Maracanã (Rio de Janeiro), o público pagante oficial chegou a 173.815 pessoas. Hoje a prioridade na construção dos estádios tem sido o conforto dos torcedores, e a capacidade máxima não passa dos 100 mil lugares.

 

Nesta Copa, quatro países já garantiram vagas para as oitavas de final: Holanda, Chile, Colômbia e Costa Rica. Outros quatro estão sem qualquer chance e cumprem apenas a tabela na terceira rodada: Espanha, Austrália, Camarões e Inglaterra.

 

A partir de segunda-feira (23), quando começa a terceira rodada da fase de grupos, haverá quatro jogos por dia em apenas dois horários. Os jogos do mesmo grupo serão disputados no mesmo horário para definição do primeiro e segundo lugares. Na segunda-feira, às 13h, os dois jogos do Grupo B são Holanda x Chile, em São Paulo, e Austrália x Espanha, em Curitiba. Às 17h, jogam pelo Brasil e Camarões, em Brasília, e Croácia e México, no Recife, pelo Grupo A (Eurico Tavares – Repórter da EBC).

Leia mais: Análise: Prenúncio de que Copa seria o ‘fim do mundo’ não aguentou 3 dias http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/06/1474285-prenuncio-de-que-copa-seria-o-fim-do-mundo-nao-aguentou-3-dias.shtml

20/06/14 – 16h49 – Lara Rizério

NYT classifica Copa como sucesso incrível; já FT “exclui” Dilma da forte união nacional
New York Times diz que as previsões catastróficas para a Copa não se concretizaram; enquanto isso, o FT ressalta o movimento de união do Brasil, mas que “excluiu o governo da festa”

SÃO PAULO – Oito dias após o início da Copa do Mundo no Brasil, a imprensa internacional já dá as suas primeiras impressões sobre o torneio. Enquanto o New York Times diz que as previsões catastróficas para a Copa não se concretizaram e que o torneio é um “sucesso incrível”, colunista do Financial Times ressaltou que o evento está unindo o Brasil, mas que Dilma continua andando de cabeça baixa.

“Para aqueles torcedores que gostam de gols de saltar os olhos, resultados surpreendentes e futebol de qualidade, esse torneio foi, de longe, um sucesso incrível”, avaliou o NYT, em artigo da última quarta-feira.

Contudo, a publicação ressaltou que nem tudo é perfeito: falta de comida nos estádios, problemas no sistema de som, detalhes no acabamento das arenas, atrasos em obras e problemas de logística foram apontados como alguns dos problemas enfrentados durante o torneio. Porém, avaliou, sempre costumam acontecer imprevistos na realização destes grandes eventos. Além disso, o NYT elogiou a qualidade do gramado das doze sedes, sendo esta a “prioridade, uma vez que as partidas geralmente definem o legado histórico de um evento.”

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Ao NYT, Dilma rebate críticas e diz que desigualdade caiu no Brasil, enquanto sobe nos EUA
Já o Financial Times destacou o sentimento de maior união do time brasileiro, ressaltando no início da reportagem o hino do Brasil cantado à capela pela seleção e pela arquibancada mesmo quando a música foi encerrada em São Paulo, na abertura do evento, o que passou de uma demonstração de patriotismo para um ritual.

“Em muitos países, a seleção nacional de futebol – com todas as suas virtudes e defeitos – encarna o sentimento da nação. Mas isso é particularmente verdade no Brasil, superpotência do futebol. E é ainda mais verdadeiro durante uma Copa do Mundo no Brasil. Um vasto país de desigualdades agora está fazendo o seu melhor para se unir em torno de uma equipe de jogadores expatriados multimilionários”, ressalta o FT.

O Financial Times destacou que, olhando na arquibancada do estádio, só os mais abastados estavam acompanhando o evento, pois eram aqueles que poderiam comprar os ingressos. E estas classes eram as mais irritadas com os gastos desnecessários da Copa do Mundo.

Uma pesquisa realizada pelo Datafolha, pouco antes do torneio revelou que enquanto 51% de todos os brasileiros eram favoráveis ao evento no Brasil, apenas 41% dos paulistas concordavam que o País sediasse o evento.

“A multidão no estádio entoou o hino como um desafio, um empresário brasileiro me disse. Sua mensagem: eles amavam Brasil apesar do governo”, ressaltou. E esta visão foi reforçada pelo técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, logo após ter vencido o jogo de estreia por 3 a 1 diante da Croácia. “Nunca mais vocês poderão dizer que São Paulo não apoia a equipe nacional”, afirmou aos jornalistas.

Em meio a esse cenário, o jornal britânico ressalta o movimento de união do Brasil, com reuniões em dia de jogos da seleção canarinho. Porém, afirma o jornal, apenas uma parte está excluída da família nacional: o governo – avaliando que o mesmo é verdade em muitos países agora. A presidente Dilma Rousseff participa dos jogos, mas mantém a cabeça baixa, enquanto a multidão entoa “canções abusivas” sobre ela, afirma o jornal, em referência às ofensas proferidas à presidente durante a abertura.